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#1 Isso não é uma crise de meia idade

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Eu tenho saudade dos velhos tempos. Eu teria feito um bocado de coisas diferentes, mas ahhh, a vida aqui está tão divertida que eu não queria estar em nenhum outro lugar.

Isso não é demagogia. Isso também não é uma crise de meia idade. Daqui 11 meses eu completo 40 anos de vida e talvez eu comemore essa data na cama com alguém, da mesma forma que comemorei os 39.

Que maravilha ter a liberdade de dizer e fazer o que eu quiser. 40 anos, você nem chegou e já me assanha.

De volta a 1996, ano em que a minha mãe tinha 39 anos, eu 16, uma adolescente muitíssimo questionadora, atrevida, metida a escritora de agenda, batedora de boca profissional e cheia de habilidades para escolhas erradas. Minha mãe, sempre que se deparava com minha capacidade criativa para histórias inverídicas, se perdia pelos corredores do nosso apartamento proferindo a célebre frase. ‘Porque eu sou uma mulher de quase 40 anos…’ em alto e bom som. O que vinha depois da frase dependia sempre da gravidade dos acontecimentos.

A mulher de 39 anos que minha mãe foi em nada se assemelha com a mulher de 39 anos que eu sou. Os tempos mudaram e eu só tenho à agradecer ao cosmos pelo alinhamento das estrelas, do contrário, eu estaria exaltada uma hora dessa.

Chegar até aqui solteira, sem filhos, caminhando em trilhas arriscadas profissionalmente, questionando a vida e a morte todo santo dia, não é tão incrível quanto fazer mexido pra família toda noite, caso eu tivesse uma. Mas, eu digo, essa história é minha, e o único lugar que eu queria estar, é bem aqui, neste corpo, nesta alma, neste coração desgovernado e nessa carinha que não demonstra os quase 40 vividos.

Meu maior desafio da maturidade tem sido controlar a exaltação das batidas do meu coração, que são aceleradas demais, emocionadas demais, intensas demais. É meta para as 4 décadas vindouras aquietar esse tanto querer.

Sim, porque meu sofrimento vem pelo querer, o querer atropelado dos meus pensamentos que criam cenários e roteiros para histórias embaladas por músicas de fazer chorar, que, de fato, me fazem chorar.  Como eu choro meu deus…

Eu tenho 11 meses para refletir sobre a minha longa existência, mas não vou, acredito que estarei ocupada demais conversando com a lua sobre as próximas escolhas erradas que certamente farei, sobre os fios brancos que apareceram recentemente e eu ainda não decidi se vou cobri-los ou não, sobre o amor tranquilo que hei de viver, sobre o que, raios, eu faço para endurecer a minha bunda, e, por fim, qual será a minha estratégia para conquistar o mundo.

Porque, senhora lua, se tem uma coisa que a maturidade me trouxe numa caixinha de veludo, foi a segurança. Hoje eu sei que eu posso.

Acho que é isso. Eu posso. Tudo o que eu quiser eu posso.

Com amor, Beta

Fotografia: Studio Tertulia

1 Comment

  1. Cris Salvi Tognetti

    13 de fevereiro de 2019 at 01:04

    Robertaaaaa, te achei. Amei essa página, não consigo parar de ler rsrs. Beijos com muita saudade.
    Cris

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