Criatividade como carreira profissional, porque não?

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Fui arquivando perguntas e aqui estão as respostas; principalmente sobre os meus estudos e trabalho, que percebo levantar muita curiosidade em vocês.

Criatividade como carreira profissional – segue um resumo de como foi e tem sido a minha trajetória.

Porque você saiu de Campo Belo e foi morar em Belo Horizonte?

Eu nasci em Campo Belo e morei lá até os meus 17 anos. Naquela época, 1997/98, a cidade não oferecia nenhum recurso para quem quisesse continuar os estudos, era uma trajetória natural fazer vestibular na cidade que tivesse o curso do seu interesse. Eu vim pra Belo Horizonte fazer o terceiro ano do colégio e decidi que faria faculdade na cidade também. Aqui estou até hoje.

Você estudou o quê na Faculdade?

Durante muito tempo eu disse que iria fazer Direito, não porque eu de fato estava considerando fazer, mas porque os meus pais tinham uma fala clássica sobre ganhar dinheiro, futuro, estabilidade, que eu me remoía pensando naquilo. Eu tentei vestibular pra Direito, não passei. Passei em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, e concluí o curso sem entender como aplicaria aquele conhecimento. Eu não concordava com os fundamentos da Publicidade na época, ainda não tinha ouvido falar sobre Branding, as mídias sociais não existiam, o cenário era completamente diferente do que temos hoje. Eu ainda considerei migrar para o curso de Design de Moda, o que acabou não acontecendo.

Quanto tempo você morou em Londres e o que você fez lá?

Depois de me formar, emendar uma pós graduação em Marketing, constatar mais uma vez que eu não sabia nada, decidi fazer um curso de inglês fora do Brasil. Fui pra Londres com o intuito de ficar 6 meses e acabei ficando 3 anos, dos quais 6 meses foram numa pequena vila no interior da Inglaterra, chamada Sandy. No primeiro ano eu basicamente estudei inglês e trabalhei de tudo que apareceu: fui babá de crianças libanesas, barista numa cafeteria em Notting Hill, garçonete de milhares de casamentos, sobretudo de indianos, atendente de bar no estádio de futebol do Tottenham, fazedora de sanduíche no Pret A Manger. Ao mesmo tempo que fazia de tudo para ganhar dinheiro, eu fiz um Curso de Consultoria de Imagem, um curso de Fashion Business, conheci alguns países, terminei o curso de inglês com um certificado de Cambridge, arrumei um namorado Venezuelano e quase me casei com ele. (rs).

A sua empresa era de quê? Porque você a fechou?

Eu voltei de Londres completamente decidida a empreender na área de moda. Primeiro arrumei um emprego na área para que eu pudesse ter o mínimo de noção dos processos, depois de 6 meses fazendo praticamente tudo numa marca de moda local, eu pedi demissão e já estava abrindo as portas da minha micro empresa. O ponto central da marca, Amour, era vender roupas, só que eu não queria revender, eu sempre quis criar as peças. Eu só não fazia a menor idéia do quão desafiador isso seria… Criar as peças nos direcionou para a venda em atacado, o que culminava num trabalho exaustivo dentro do calendário da moda nacional e um volume de peças muito maior do que a nossa real capacidade. Depois de quase 6 anos fazendo um trabalho primoroso de criação, coleção e comunicação, mas sem conseguir administrar os bastidores como deveria ser, percebemos que estávamos falidos e fechamos as portas.

Como você se tornou professora? Você dá aulas de quê?

Depois de passar por um período de ajustes após o fechamento da empresa, eu comecei a os poucos, me movimentar, tateando as possibilidades, conversando com pessoas, buscando entender como eu poderia voltar pro mercado. Foi durante esse movimento que eu fui convidada a palestrar, numa instituição de ensino, sobre Empreendedorismo Feminino. Eu me senti tão feliz e revigorada que acredito que o mundo todo percebeu. Não demorou muito eles me fizeram a proposta para ministrar aulas, e eu aceitei. Desde então foram cursos de Marketing na Web, Marketing Pessoal, Caligrafia, Consultoria de Imagem e Produção de Moda.

Você presta Consultoria de quê?

Me tornar Consultora de Branding – Gestão de Marcas – foi algo que aconteceu quase que naturalmente. Durante os anos atuando na minha empresa eu estudei muito, de tudo, afinal, era vital que estivéssemos sempre trazendo algo novo, do contrário, teríamos morrido antes mesmo do fim. O portfólio que construímos para a Amour era impecável, o que me trouxe certa visibilidade, e fez com que as pessoas se aproximassem e começassem a solicitar aquilo que eu havia feito para a minha marca, agora para a marca delas. Já são 5 anos construindo marcas, reposicionando e criando estratégias criativas para clientes de todos os tamanhos e áreas.

Porque você decidiu ter um blog? Há quanto tempo você escreve nele?

Eu decidi ter um blog quando eu me dei conta que blogs existiam. De cara eu fiquei alucinada com a plataforma dinâmica que possibilitava criar, editar e postar o próprio conteúdo. Isso foi há 8 anos atrás, e, desde então, eu mantenho o blog em paralelo com todos os outros trabalhos, com excessão dos últimos 2 anos, que eu quase não publiquei no blog devido ao grande volume de trabalho que eu abracei de uma vez só. Estou retomando essa atividade que, pelos números, é a minha mais longeva atividade, e tenho planos sólidos de trazer tudo o que eu fiz  e faço na vida off line, para este espaço virtual.

Qual a melhor parte de ser uma profissional criativa (multitalsk)? E a pior?

A melhor parte é ter a capacidade de solucionar problemas. Pode parecer generalista demais essa frase, mas a criatividade nada mais é do que a capacidade de criar soluções para algo que não existe – estado da arte – ou criar soluções para problemas reais, cotidianos, trazendo idéias de diferentes áreas e buscando novos significados. Eu gosto disso.

A pior parte é não ter um encaixe dentro do mercado, é perceber que o Diretor Criativo, ou de Arte, é sempre o último a ser contratado, caso sobre verba. Mas, felizmente, tenho percebido grandes mudanças sobre isso, decorrentes de todo o excesso de informação que estamos expostos diariamente. As marcas necessitam de atenção, e não existe fórmula para atrair olhares se não com muita criatividade e estratégia.

Você tem algum conselho pra quem quer trabalhar com comunicação, moda?

O conselho que eu dou, é o mesmo que apliquei pra mim mesma, a vida toda, em situações distintas: FAÇA. Mesmo quando você tem certeza que não tem certeza de nada; faça. Mesmo quando você tá com preguiça; faça. Mesmo quando pessoas próximas te desencorajam; faça. Mesmo quando você ainda não tem um propósito muito claro; faça. Mesmo quando o dinheiro é pouco mas você acredita no retorno; faça. Mesmo quando as forças estão acabando, aí é que você tem que fazer mesmo!! No final, você terá aprendido um monte de coisa, adquirido um monte de habilidades e, certamente, encontrará uma maneira de se fazer notado.

O que você pensa do futuro da comunicação, mídias sociais, internet, blog?

A única certeza que temos é que as coisas vão continuar mudando, evoluindo, ficando cada vez mais tecnológicas, esse caminho é sem volta. Eu acredito que, quando tem alma, tem espaço. Assim fica mais fácil adaptar e sobreviver às mudanças.

……….

Se você leu tudo isso, fico feliz! Espero ter respondido todas as perguntas que recebi e arquivei nos últimos tempos, mas, caso você ainda tenha alguma dúvida, inquietação, pode me mandar, responderei com o maior prazer! Eu faço questão de reiterar como a criatividade tem valor e como devemos trabalhá-la ao nosso favor. Eu demorei anos pra entender isso… hahaha

……….

PS.: Tem mais perguntas e respostas sobre coisas da vida: AQUI.

Foto de um trabalho recente, quando dava instruções para uma cliente e fui capturada pelas lentes da Eloah.

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maio 13, 2019 11:59 am

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