#4 Isso não é uma crise de meia idade: Cabelo e mudanças

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crise de meia idade

Nessa minha vida real (e poesia), marcada por grandes e minúsculos acontecimentos, percebo que o meu cabelo é um importante radar, é sempre ele o primeiro a detectar que algo importante aconteceu ou vai acontecer em breve…

No último sábado, de súbito, marquei um horário no Salão e fui para um corte além das tradicionais pontinhas. “Quero meu cabelo curto, na altura dos ombros”- Pedi para a moça que realizaria o trabalho. Alguns minutos depois eu havia deixado o Salão diferente, não só fisicamente, mas, como sempre o cabelo indica, algo estava diferente também dentro de mim.

Eu gosto de usar franja, gosto de usar cabelo comprido, gosto de fazer cachos para um efeito mais mulherão, gosto de mechas para iluminar meu rosto, gosto do volume que os meus fios possuem e gosto de inventar moda com o meu cabelo. Saí do Salão, naquele sábado, com o cabelo lisinho, curtinho e com a cor natural.

Pode parecer que estou caminhando na direção oposta dos meus gostos, mas não estou, nenhuma contradição até aqui, eu não deixei de gostar dos meus templates, apenas decidi que eles devem ser simples, o mais simples e natural que eu conseguir deixá-los.

Há poucos meses de completar 40 anos, eu me percebi em crise, o que não é uma crise de meia idade, é a crise de entender que eu não preciso de um monte de coisa. De assumir, corajosamente, que as únicas coisas que eu quero e preciso são: paz de espírito e amor tranquilo.

Eu gosto da minha casa, da minha vida na cidade grande, mas tenho cogitado uma casa numa vila pequena na beira da praia ou então uma casinha no subúrbio de uma grande cidade eu gosto, uma vida mais perto da natureza, talvez,  um trabalho que me permita passar mais tempo em casa do que fora dela, um guarda roupa cada vez mais funcional e uniformizado, poucos produtos, poucos acessórios, comida de qualidade. Eu me perco com exemplar facilidade, por isso o exercício de concentrar no essencial tem sido fundamental.

Desde que esse processo começou a fazer sentido, tenho percebido um posicionamento mais constante também, algo como: É a última vez que vou fazer isso, é a última vez que compro determinada coisa, é a última vez que vou falar sobre isso… O que não quer dizer que eu não vá mudar nunca mais na vida, mas chegar até aqui, 40 anos de estrada, tem me mostrado que eu preciso encerrar alguns ciclos, pra então iniciar outros. Preciso escolher a versão final do template acreditando que é a melhor versão, a mais representativa, e salvar o arquivo sem medo.

Minha terapeuta me disse outro dia, quando eu falava sobre ainda não ter conquistado uma coisa que eu quero muito, que é poder dedicar mais do meu tempo profissional à escrita e à leitura, que são duas coisas que eu gosto muito. Ela me disse que é bem provável que eu ainda não tenha conquistado esse lugar por não estar preparada para assumi-lo. Depois de ter discordado veementemente, claro, é o que faço quando a verdade me bate na cara, eu dei razão a ela. Seja lá que lugar for esse, eu tenho que me preparar, não para a chegada em si, porque eu não faço a menor idéia se ela existe, mas tenho que estar preparada para continuar na caminhada, para os próximos anos maravilhosos que virão.

Para o percurso, que é o que me importa agora, vou deixando o que estiver pesado, porque quero seguir leve, com uma malinha de mão, não muito mais do que isso.

com amor,

Beta

(Isso não é uma crise de meia idade é uma série que eu criei aqui no blog, que contará com 12 crônicas ao longo de 2019, porque não por acaso, é o ano que completarei 40 anos, em Dezembro. Assim espero rever situações e sentimentos vividos até aqui, e convidar quem também esteja passando por uma (não) crise da meia idade, a refletir também.)

……….

Ps.: Isso não é uma crise de meia idade #1 – É uma melancolia boa, aqui.

       Isso não é uma crise de meia idade #2 – Uma quase morte-vida, aqui.

      Isso não é uma crise de meia idade #3 –  Os números não mentem jamais, aqui.


(Fotografia de Julia Amaral para o BETA)

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julho 1, 2019 5:05 pm

Comentários

4

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Comentários

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  1. Tamara Pinho

    Adorei o post! Sempre bom mudar né? Eu particularmente adoro mudar cor, corte tudo que envolve o cabelo 😍😍

  2. Janaina

    Na verdade existe uma ilusão em pensar que em algum momento as coisas estarão “terminadas “…
    Isto não existe, minha amiga…
    Estamos em constante evolução e movimento.
    Beijos com saudades

  3. Beta

    Entendi isso quando desisti de querer chegar a algum lugar, a caminhada leve tem me interessado mais… Saudades com beijos!!

  4. Beta

    Que bom que gostou! Eu já mudei muito o cabelo, agora não tô querendo mudar mais não!! hahahaha

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