Histórias

A HISTÓRIA DA VITÓRIA QUE (POR DENTRO) SEMPRE FOI ARTHUR

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Há uns meses atrás, bebendo vinho com uma amiga num restaurante japonês em Campo Belo, conheci o Arthur. Ele era o garçon que estava nos atendendo. Depois de algumas idas à nossa mesa, eu, curiosa e observadora que sou, resolvi puxar assunto com aquele rapaz agradável e bonito que só, que de tão simpático, acabou me chamando a atenção.

Ali mesmo, entre idas e vindas, bem rapidamente, ele me resumiu uma história de vida que me deixou emocionada. Voltei em Campo Belo mais algumas vezes, convidei o Arthur para um brunch na minha casa, conversamos mais um bocado, e então, perguntei se ele não se intimidaria em compartilhar sua história com mais pessoas.

Ele aceitou.

Segue aqui, em suas próprias palavras:

“Vitória nasceu no dia 12 de março de 2001, com muita vida.

Aos 4 anos, ela usava sunga e uma prancha para ir à praia próximo de sua casa. Ela afirmava ser um menino. 

Volta para sua cidade natal, e faz amizade com uma menina. 

Aos 6 anos, brincavam de profissões. Vitória ia até ao escritório e sua amiga ficava em casa com as bonecas. Ao chegar à casinha, ela enchia sua amiga de beijos. Era uma brincadeira, a história de uma família nada tradicional, mas feliz. 

Aos 7 anos, ela afirmava aos pais da sua amiga que quando crescesse, seria um ótimo marido.

Essa amizade se foi quando Vitória escolheu se mudar para uma cidade longe de sua família e assim sair de um ambiente de guerra: sua casa.

Aos 11 anos saiu em busca de paz, mas encontrou as grades de sua prisão mental, lidando com outros presidiários: o preconceito.

Depois de 3 anos de depressão e insatisfação pessoal, foi absolvida, voltando à sua cidade natal com um objetivo: VIVER.

Vitória era linda, loira, com olhos verdes, amava ler, tocar violão, jogar futebol e sempre tirava notas boas. Mas ela tinha um defeito: Não sabia sorrir. 

Até que chegou o dia em que foram literalmente apagadas todas as memórias anteriores. 

E o Arthur veio à tona. 

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O quê???? Você era tão linda! Ai, e seu cabelo? Meu Deus! Não acredito que você jogou suas roupas de menina fora! Poxa, por que você não fica com meninas sendo uma menina??? E agora? Qual banheiro você entra? 

Cortei meu cabelo e mudei meu guarda roupa aos poucos para não gerar choque na família, portanto, não foi possível. Fui humilhado, me cuspiram. Mas reagi com calma, mesmo havendo dias que eu gritava alto pela aceitação familiar. 

Não é fácil acordar todos os dias, se olhar no espelho, totalmente nu, e se tocar que este não é o corpo em que você queria estar. 

É uma luta interna, mas eu aprendi e estou aprendendo a lidar com isso. 

Vai fazer um ano que eu, Arthur, estou vivendo os melhores dias da minha vida. Pois aprendi a viver com autonomia e muita determinação no que eu faço.

Esse foi o maior segredo para evitar maus olhares, conversinhas e sim, fazer exatamente o contrário, atrair seguidores para seguir o meu exemplo.

Vivo para quebrar paradigmas velhos criando novos, incrivelmente extraordinários.

O remédio para aceitação, equilíbrio emocional, mental e o respeito, é o conhecimento. 

Os livros são minhas fontes de energia para sobreviver, porque a sabedoria mata qualquer tipo de ignorância. 

Hoje, sou respeitado e aceito na escola, em grupos sociais, pelos professores, mas ainda luto para conquistar tudo isso com minha família.

Curso o 2° ano do Ensino Médio, tenho 16 anos e sou professor de Inglês em uma Escola de Idiomas da minha cidade, onde coloco todo meu empreendedorismo e amor a favor desta.

Cultivo a paz, a gratidão, a prosperidade, a felicidade e o amor.

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Muito obrigada, Arthur, tenho certeza que sua história irá inspirar muitas outras pessoas.

Com amor,

Beta

3 Comments

  1. Eder Bomcompagni

    27 de junho de 2017 at 19:01

    Conheço bem essa história. De várias óticas diferentes, convivente com a Vitória, o Arthur e sua família. Parabéns pela força de vontade, por seguir alguns conselhos que te dei e também por não seguir outros.

  2. Carlos Henrique Soares

    28 de junho de 2017 at 04:23

    É impressionante Beta como qualquer pessoa pode se transformar num personagem com um história incrível. Parabéns, por contá-las. Abraços

  3. Beta

    2 de julho de 2017 at 21:00

    Tem razão, Rick, toda história é única e merece ser contada de forma especial. Muito obrigada!

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