Histórias

A HISTORINHA DO ROMANCE DE CARNAVAL QUE NÃO VINGOU

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Eu poderia ir direto para a parte do beijo tórrido no meio da multidão carnavalesca, mas não vou, essa história tem outros detalhes, igualmente tórridos, que merecem ser narrados…

Tudo começou com um telefonema de uma pessoa desconhecida, um alguém querendo reunir informações sobre o meu trabalho. Esse alguém queria essas informações pessoalmente, uma entrevista, a qual eu relutei em aceitar num primeiro momento devido a: 1) Não conhecer a pessoa e recebê-la na minha casa 2) estar com a casa em obras 3) estar com a cara descascando devido a um peeling feito no dia anterior. Mas o sujeito insistiu, a empresa que o traria aqui era conhecida minha e eu acabei aceitando. Moral desse parágrafo: Essa pessoa, literalmente, bateu na minha porta.
Dois dias depois, esse alguém me mandou uma mensagem fora do contexto das informações profissionais, e eu comecei a achar que tinha alguma intenção ali. Nos dias seguintes idem, as mensagens continuaram e eu tive a constatação: Havia caroço naquele angu. As mensagens avançavam e recuavam na medida e proporção dos nossos interesses, ou seja, ele, prático e objetivo, fez questão de deixar claro: “Quero ficar com você e ponto”. Eu, confusa, medrosa, me guardando para o príncipe, deixei claro que poderíamos ser bons amigos, afinal, não é todo dia que pessoas curiosas batem na minha porta – Pensei.
Porém, muito papo foi, muito papo veio, encontramos pessoalmente para um café, uma noite de cervejas e um almoço, me convidei para encontrá-lo numa festa de Carnaval, tive o convite suspenso, e continuamos com as mensagens, ora cotidianas como um pedido para uma caligrafia, ora românticas como um “eu gosto de você”.
Até que, o bendito sábado chegou, eu sabia que ele estaria naquele bloco de Carnaval, ele não sabia que eu iria e, assim mesmo, como um fantasma, apareci na sua frente, coberta de glitter prateado da cabeça aos pés (recém adquirido da colega foliã) e o cutuquei de supetão. Por sorte, ele se alegrou ao me ver, perguntei se a minha presença atrapalharia, afinal, ele estava tocando um instrumento numa bateria que evoluia rua à dentro – Ele disse que não e eu fiquei ali por perto. Poucos segundos depois, ele afastou o instrumento – achei muito sensual essa parte – passou a mão pelos meus ombros e me tascou um beijo. Sim, um beijo de cinema, no meio da multidão suada e brilhante, debaixo de um sol desértico, suado, com uma tiara de vaquinha na cabeça. Poucas coisas passaram na minha cabeça naquele momento. Me lembro de ter ficado mareada, com um frio na barriga, receosa, pois havia feito outro peeling (sim, estava em tratamento – rs) e fiquei preocupada daquela barba gigante e volumosa esfarelar minha cara toda. Não sei o que aconteceu, quantos segundos/minutos/horas aquele momento durou, até que o som da sua voz entrou nos meus ouvidos: “Você vai escrever sobre isso, Roberta?” Eu abri os olhos e respondi: É bem provável que eu escreva sim.
Passamos mais alguns minutos bem agradáveis até que o destino nos separou, tão rápido quanto um flash, sem que eu sequer tivesse tido tempo e condições pra entender direito o que estava acontecendo. Então segui o meu caminho, e ele o dele.
O que eu não espera, era que esse mesmo destino que nos separou, nos uniria de novo algumas horas depois. Que coisa, não? Quanta surpresa para um Carnaval que mal havia começado… Nos reencontramos e foi ainda melhor, não tinha o sol escaldando mais, podíamos ouvir a voz um do outro e conseguimos passar mais uma horinha juntos. Tantas mensagens trocadas nos fizeram ter a sensação que já nos conhecíamos há tempos e tempos. Uma sensação gostosa e confortante.
Só que, assim como todo Carnaval tem seu fim, a noite de sábado também teve. E veio um domingo de ressaca, com um buraco no peito e outro no estômago. Por um dia esqueci que tenho 37 anos e que deveria estar exalando maturidade, só que não foi isso que aconteceu, a adolescente de 17 ressurgiu como uma fênix e eu não pude controlar. Deixei transparecer o que não devia – Será que não devia mesmo? Não sei… Eu apenas senti o desejo que aquela historinha pudesse continuar, e verbalizei isso.
Mas não, ela não continuou, nem no domingo, nem na segunda e nem nunca mais, até que a Roberta de 37 teve que entender que ok, tá tudo certo, muitas vezes as histórias se atropelam mesmo e ninguém precisa morrer no final.
Eu fiquei no vácuo mais profundo que o vácuo mais profundo que um ser humano puder imaginar, senti como se alguém tivesse desligado o telefone na minha cara e eu tivesse ficado falando sozinha, o que de fato aconteceu, ainda mandei outras mensagens, mas nada, nadinha mesmo.
Meu Carnaval teve fim antes mesmo que ele pudesse ter começado oficialmente. Não botei meu bloco na rua, botei o computador no colo, escrevi esse texto, e voltei a trabalhar.
Se você já viveu algo parecido, se idealizou uma situação que acabou não acontecendo, ou apostou algumas fichas em cima de uma história errada, compartilha aqui com a gente, podemos dar boas risadas!
 
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Ah, só mais uma coisa, eu não poderia deixar de mencionar: O abraço foi bom, encaixou, rs.
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(Imagem: Amarante Filmes)

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