A PRIMEIRA BALADA SOLTEIRA DE NOVO

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Bem, antes de mais nada, deixa eu fazer uma consideração: o título é um pouco exagerado porque eu gosto de botar emoção na história logo no início. Não era bem uma balada, era uma baladinha, um barzinho mais animado.

Dito isso, vamos aos fatos.

Estou solteira há 4 meses e tenho, sem nenhum exagero aqui, me reinventado a cada dia. Pelas minhas contas, eu passei os últimos 17 anos da minha vida com um companheiro do lado, sendo assim, normal eu me sentir um pouco deslocada da vida de solteira, né?

Depois que me vi, de fato, sozinha, comecei a fantasiar como seria sair a noite, conhecer outras pessoas, iniciar uma conversa, qual roupa usaria pra sair… Porém, todos esses pensamentos, só me faziam não querer sair de casa. É claro que eu já vivi esse cenário, mas viver tudo isso aos 37 anos, é a primeira vez. Conversei com algumas amigas, simulamos alguns diálogos e, no final, o resultado eram boas risadas e somente isso. Nada da Roberta querer sair de casa. Não para esses fins, que fique claro.

Uma amiga me disse: “Beta, você não precisa ir a lugares que não gosta, vestir roupas que não curte, fingir gostar de coisas que não gosta. As pessoas aparecem quando a gente menos espera” Ela está certa, eu sei, mas, na minha cabeça, quem vai olhar pra mim, estando sentada de costas pro mundo, num bar no fundo do Edifício Maleta? (como foi esse dia). Não, ninguém vai notar a minha existência dessa forma… rs

Eu tenho que sair, tenho que quebrar esse jejum… – Era só o que eu pensava.

Até que um dia, uma amiga, compadecida da minha situação, se animou a encarar uma baladinha em plena quinta-feira, e lá fomos nós! De novo, agora eu não estou exagerando, mas eu não fazia a menor idéia do que fazer, pra onde olhar, se eu estava adequada ou não… Quanta insegurança!

Fomos pro bar comprar cerveja, adoro cerveja, de qualquer forma, iria me divertir.

Buscamos uma mesa, minha amiga e eu, e enquanto fingíamos estar no meio de um assunto muito importante, reparávamos todas as pessoas a nossa volta. Cobicei a desenvoltura de algumas mulheres, que dançavam e cantavam alegremente em cima de saltos vertiginosos, enquanto eu dava grandes talagadas na minha cerveja e me lembrava que eu estava de tênis e calça jeans.

Homens, sim, haviam homens por toda parte, muitos deles, de todos os estilos e sorrisos. Eu tenho uma preferência muito peculiar para o estilo masculino, o que já me limita bastante. Meu tipo é específico e não muito comum. Enquanto olhávamos para todos os lados, minha amiga dizia: “Beta, estilo você muda, você tem que ver se a pessoa é legal”. Juro, não consigo. Tem coisas que são cruciais pra mim. Não administro homem de sapatênis, por exemplo, já basta meu pai e meu irmão. Ou é tênis, ou é sapato. Outras coisas a gente ajusta, sapatênis, não!

Algumas músicas (sertanejas) depois, o riso já tava mais solto, o cabelo preso, minha amiga teve a brilhante idéia de oferecer nossa mesa para uma turma de uns 20 amigos (agora estou exagerando um pouquinho! rs) colocarem suas mochilas. Eram homens de todos os cantos do Brasil que estavam em Belo Horizonte a trabalho. Tamanha diversidade geográfica garantiu assunto nos primeiros minutos.

Eu não sei quanto tempo depois, provavelmente depois de todo mundo saber o nome, a profissão e a idade de cada um, os grupinhos foram se formando. Minha amiga é muito simpática e agradável, eu não consigo entender como ela consegue, tem sempre um bando de gente ao seu redor e nunca falta assunto. Já eu, fico conversando coisas nonsense, geralmente com alguém pouquíssimo interessante.

Num momento a sós com a minha amiga, relatei que de todos aqueles amigos, o gaúcho, embora muito fortinho para os meu padrões, foi o que mais me chamou a atenção. Talvez pelo seu jeito mais quieto e nada festivo, os outros eram falastrões demais. O carioca, meu deus, que cara marrento!

Não, eu não fiquei com o gaúcho e nem com nenhum outro homem – caso vocês estejam curiosas pra saber. Pra falar a verdade, eu acho que não consigo mais ficar, quando conhecer alguém, vou logo oferecer um plano de vida, coisa séria.

Acordei no outro dia dando risadas ao lembrar da nossa noite e, de uma certa forma, feliz por não ter deixado a cerveja me encorajar ao ponto de “ficar com alguém”, pois a ressaca moral que precede esses encontros casuais, é sempre arrebatadora.

Eu quero conhecer pessoas novas sim, quero me relacionar, não vou deixar de sair, mas vou torcer para que alguém me veja sentada de costas num bar qualquer do Edifício Maleta, e venha me cutucar.

 

Imagino que muitas de vocês já passaram por momentos assim, como foi? Como foi encontrar alguém de novo? 

 

(Foto antiga, de uma balada antiga, uns 3 anos atrás. Vontade dessa franja de novo, gostam?)

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fevereiro 1, 2017 9:02 am

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