Amizades na vida adulta. É mesmo difícil criar vínculos com o passar do tempo?

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Vocês fizeram novas amizades nos últimos tempos? Eu sempre achei que fosse impossível fazer amizades na vida adulta, mas estava enganada…

Eu demorei muito tempo pra entender que o meu jeito sistemático era, na verdade, um traço da minha personalidade introvertida com certa dose de timidez. Eu mesma não me considerava uma pessoa tímida, sempre acreditei ter a desenvoltura necessária pra qualquer ocasião, não entendia que o comodismo com as amigas de sempre, e o fato de quase nunca querer estar com pessoas que eu (até) então não conhecia, estava relacionado ao que acabei de mencionar acima e, por isso, acabava sempre aceitando o rótulo de ‘pessoa sistemática’.

O fato de ter sido nascida e criada numa cidade bem pequena, e ter tido a oportunidade de conviver com as mesmas pessoas durante muitos anos, me deixou muito confortável no quesito “novas amizades”, afinal, eu já tinha as minhas amigas. Ainda que num determinado momento da vida cada uma tenha seguido um rumo diferente, eu sabia que elas estavam comigo. Elas me conheciam, sabiam do meu melhor e do meu pior.

Muitos anos se passaram, eu convivi com mais uma infinidade de pessoas, mas sempre com uma dificuldade enorme em criar laços, fortalecer vínculos, sentia carinho por muitas pessoas, mas sabia que, mais cedo ou mais tarde, elas iriam sair da minha vida. Era quase um fluxo automático.

Lugares como academia de ginástica, salão de beleza, internet, cursos rápidos, bairro, eram todos lugares impensados para conhecer novos amigos. Eu me via sempre em companhia de namorados, familiares, ou as mesmas amigas de sempre. Ainda que em algum momento ou outro eu sentisse falta de pessoas novas, eu tinha certeza que nada poderia fazer.

Muitos dias se passaram onde eu só queria uma amiga pra tomar um café, ou dar uma volta no shopping, ou jogar conversa fora com uma taça de vinho. Tanta coisa aconteceu, eu mesma mudei tanto nos últimos anos que, embora eu ainda conserve traços fortes da minha personalidade introvertida, eu vi muitas das minhas certezas caindo por terra. Depois de viver um bocado de novas experiências e agir diferente do que eu costumava agir, hoje estou cheia de gente nova e interessante na minha vida.

Aprendi um punhado de coisas nesse caminho, acertei e errei, aqui um pouco do que funcionou pra mim:

  • Esteja no lugar de coração aberto Pode não ser o lugar ou ocasião que você mais se identifique no mundo, mas, uma vez lá, esteja de coração aberto, o desconforto é sempre visível e não é isso que a gente quer mostrar pros outros, né?
  • Puxe assunto Eu sempre achei que nunca deveria puxar conversa com ninguém, mas percebi que não é bem assim, sempre haverá alguém interessado no que temos pra dizer.
  • Convide Eu nunca convidava ninguém pra nada, os poucos convites que recebia eu recusava por não me achar íntima o suficiente pra sair com a pessoa. O whatsapp me ajudou muito a romper essa barreira, hoje envio vários convites e tenho sempre gente por perto.
  • Novos amigos estão em toda parte. Todos aqueles lugares que eu julgava não serem lugares para novas amizades, esfregaram na minha cara que eu estava errada. Se você está naquele lugar é porque se identifica com ele, certo? Da mesma forma que outras pessoas também se identificaram. Meio caminho andado pra se aproximar delas e falar sobre o porquê de estarem ali.
  • Abra a sua casa. Eu sempre amei receber minhas amigas na minha casa, mas, de novo, eram sempre as mesmas amigas. Eu não concebia a idéia de abrir meu lar para alguém que eu conhecesse há menos de 20 anos. Depois de relevar essa idéia maluca e morrer de alegria ao convidar pessoas para conhecer a minha intimidade, percebi que não existe forma melhor para se criar laços.
  • Clientes/Amigos. Clientes podem se tornar grandes amigos e a recíproca também é verdadeira. Como se trata de duas relações muito delicadas, o essencial aqui é deixar tudo muito claro e confortável para ambas as partes. Eu tenho feito reuniões de trabalho na minha casa com clientes que viraram grandes amigas e só tenho visto benefícios nisso.
  • Esteja (seja) presente. Se a gente parar pra pensar, amizade é uma coisa cara que demanda muito tempo e dedicação. Manter uma amizade viva é como manter um namoro, um casamento. Temos que ligar, mandar mensagens frequentes, se interessar pelo outro, o que pode deixar exaustivo uma coisa que deveria ser natural. Porém, com o tempo, será fácil descobrir aonde e como devemos investir nossa energia para manter essas novas pessoas na nossa vida.

No final do ano passado fui passar uns dias no interior e, no meio da estadia, eu já sabia que queria voltar pra Belo Horizonte antes do programado. Estava tudo bem, eu estava com a família e com as amigas de infância, mas, pela primeira vez na vida, eu queria também estar perto das novas amizades. Contrariando um artigo que li um tempo atrás, que dizia que era impossível fazer amizades na vida adulta, eu sei que não é, não importa a idade, importa a disponibilidade. Amizade não é uma equação matemática, essa conta pode ficar em aberto.

Como disse Mário Quintana: “A amizade é um amor que nunca morre”

Vocês fazem e mantêm os amigos com facilidade? Já perceberam se as amizades na vida adulta são diferentes das amizades de infância?

PS.: Novas amizades devem estar entre as principais resoluções para 2017, concordam?

(Este post foi originalmente escrito em 9 de Janeiro de 2017)

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julho 24, 2019 2:03 pm

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