CARINA FALA: SOBRE FALAR

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Falar é, no meu caso, virtude e defeito. Tenho observado isso ao longo do caminho. Dia desses, conversando com uma amiga, que vive o luto de uma separação, ela me disse: Cá, eu gosto de conversar com você quando quero saber a “real”, a verdade, o que você está percebendo com seu olhar de fora do problema, quando quero ouvir o que estou precisando para sair do lugar de conforto; quando eu quero que passem a não na minha cabeça, eu ligo pra outra amiga nossa.

Acho mesmo que temos amigos pra viajar, pra butecar, pra falar sério, pra chorar, pra rir junto e alguns poucos que são pra tudo isso e muito mais. Não acham? Nada de errado, então?! Demos umas boas gargalhadas e eu me desculpei pelas vezes em que eu fui direto demais ao ponto, sem antes dizer: amiga, eu compreendo a sua dor, mas… E ai falo o que eu realmente penso, doa a quem doer. Às vezes, dói em mim mesma. É que acontece de eu falar o que penso sem me perguntarem e isso sempre dá confusão, porque a pessoa não está com o coração aberto pra ouvir (mesmo porque ela não perguntou ou perguntou só por educação ou pra ter assunto). Eu me arrependo imediatamente, mas a palavra já foi dita.

Também acontece de falar um tom acima do ideal, principalmente quando defendo as idéias em que acredito no trabalho, porque envolvem minha ideologia; falar acima do tom tira qualquer razão do argumento. Para cuidar desses excessos indelicados – falar sem ser perguntada e, com muita emoção, acima do tom – fui fazer ioga e passei a pensar duas vezes antes de falar, ouvindo e sentindo o interlocutor. Claro que, antes disso (e mesmo depois, porque a consciência do problema é só o primeiro passo), já devem ter me colocado em algumas caixinhas: indelicada, radical, autêntica demais, mau educada, maluca, sei lá!

Já perceberam que a gente enquadra as pessoas mesmo sem conhecê-las de verdade, com base em atos e palavras pontuais? E que, depois, é difícil pra caramba tirar essa pessoa daquele estereótipo no qual a colocamos? Acontece que as pessoas estão em constante evolução de forma que, de vezes em quando, vale a pena revistar nossos preconceitos, sob pena de perdemos a oportunidade de convivermos com pessoas que podem contribuir com nosso próprio processo de evolução e auto conhecimento e se tornarem amigas.

Assim, no tom e no lugar certo, falar o que penso, é uma característica de que gosto em mim e me define entre meus amigos; prefiro as relações de afeto que se constroem sobre a base sólida das conversas verdadeiras, sobre sentimentos, medos e desafios às relações superficiais de longas mesas de bar. Assim, numas conversas sobre infância, medos, desafios, orgulho, regada a muita verdade e vinho, é que a Roró deixou de ser a amiga de infância do meu marido e virou a Roberta, minha amiga. E acho que foi por isso que ela me convidou para falar aqui. Quero me colocar por inteiro para vocês sentirem se algo vai falar ao coração de vocês.

Prazer, eu sou a Carina.

 

 

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Primeiro, vocês acabaram de descobrir que meus amigos de infância me chamam até hoje com esse apelido estranho – Roró.

Segundo, não precisa explicar porque eu convidei a Carina pra escrever regularmente aqui no blog. A Carina é gente de verdade.

Terceiro, muito feliz com a primeira colaboradora oficial do betamaia.com/. Obrigada Cá!!

 

PS. A Carina já havia colaborado para o blog neste post aqui. A Carina é minha anfitriã oficial no Rio, aqui e aqui foram momentos especiais na cidade!

 

 

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setembro 2, 2015 4:25 pm

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