“Já desencanei de achar que só pessoas com rotinas são bem sucedidas”

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A Carol Herr, que até então eu conhecia como Cajuína e Frevo, me foi apresentada pelo youtube. Depois de ter sido hipnotizada pela forma “na lata” que ela fala da vida, eu quis conhecer essa mulher mais um pouco e migrei pro Instagram, depois de algumas semanas ingerindo seu conteúdo, enviei um DM; um convite para a entrevista que vocês vão ler logo a seguir. Eu gostei tanto da resposta que a Carol me deu, que peço licença para replicar aqui:

“Oi Beta, tudo bem? Posso te chamar assim? (…) Antes de te responder eu dei uma olhada melhor no seu conteúdo. Vim pedalando minha bike azul calcinha até uma coffee shop, pedi um chá gelado com coco e coloquei Malu Magalhães e amei o seu blog num grau incrível. (…) Eu fiquei pensativa quanto a dar entrevista porque algumas pessoas perguntam coisas íntimas demais e eu nem sempre quero responder, mas gostei tanto da sua forma de contar histórias, sem querer expôr bafões, mas falar de coisas que realmente inspiram. Topo muito. (…)

Conheçam a Carol, sem bafões, com amor e muita vida real:

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1. Você casou e mudou para os EUA ou mudou primeiro e se casou depois? Ou não teve nada disso? Como foi o início dessa história?

Eu morei nos EUA por um ano como AUPAIR, depois voltei para o Brasil. Nesse tempo a vida aconteceu e eu me casei com o Pedro Jaime.

Decidimos que os EUA era o melhor lugar para a carreira dele naquele momento e então me mudei pra cá novamente.

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2. Você é uma pessoa super alto astral, mas, claro, também deve ter aqueles dias de tpm ou mal humor mesmo. O que você faz nesses dias?

Nos meus dias de tpm eu vivo a tpm, nos meus dias de mau humor eu vivo o mau humor, nos dias que quero chorar eu choro, nos dias que não estou numa good vibes eu não estou numa good vibes e ponto.

Ao longo do tempo eu aprendi que os sentimentos que achamos ser negativos são tão importantes de serem vividos quanto os sentimentos de alegria, felicidade, positividade, good vibes e etc. 

Sentir tristeza é tão importante quanto sentir felicidade e eu tenho o direito de sentir de um tudo nessa vida, todo mundo tem esse direito, sem contar que lutar contra isso não resolve o meu problema, porque dentro de todos nós existem todos os sentimentos, não tem como só sentir coisas boas.

Eu recomendo o filme Divertida Mente para entender o que a tristeza pode fazer por você.

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3. Você contou em um de seus vídeos que passou uma época difícil em termos financeiros, e que as pessoas ao seu redor, nem perceberam. Essa é uma história comum, eu também já vivi isso, e também percebi que não é um assunto tratado abertamente. O que você acha que acontece, o que aconteceu com você?

Vou citar três pontos que me vieram à mente nesse momento do porque eu acho que isso acontece, mas é claro que as razões vão muito além de apenas esses 3 fatores e elas dependem de cada pessoa:

Primeiro eu acho que as pessoas entendem que não ter grana significa algo feio, e não ter grana, não é feio, é uma situação que acontece na vida das pessoas poxa.

Segundo é ter vergonha em assumir que você falhou em administrar o seu próprio dinheiro, que é muito comum de acontecer já que a maioria das pessoas não crescem sabendo como gerenciar suas contas, elas aprendem com a pratica e cometem muitos erros até entender como de fato funciona essa ‘’brincadeira’’ de ganhar e gastar.

E terceiro a questão do status que rola numa sociedade capitalista-consumista como a nossa, onde o ter é sempre mais importante que o ser e se eu não tenho eu não pertenço, portanto vou parcelar sim, vou gastar sim, vou mostrar que tenho sim para que as pessoas possam me aceitar e me respeitar.

O que aconteceu comigo foi que no meu segundo ano de faculdade o meu pai quebrou financeiramente e eu tive que bancar não só a faculdade mas todos os custos que envolvem estudar com um salário de estagiária e acabei passando por vários perrengues que hoje eu dou risada, mas na época eram bem duros de ser encarados. 

Eu não tive uma dificuldade financeira porque gastei no cartão de crédito com roupas e sapatos, na verdade só tive cartão de crédito depois de casada, o meu problema era em bancar as mensalidades do fretado, da Universidade, da minha alimentação, dos livros e de necessidades íntimas que todo mundo têm. Eu gastava muito mais do que eu ganhava e vivia endividada, mas ou eu me endividava ou eu não me formava, foi uma escolha meio forçada, porque é muito ruim dever e ter o nome sujo, mas deu tudo certo, eu fui efetivada depois de um tempo, paguei tudo que devia e me formei direitinho.

Eu passei tanto perrengue que nunca mais me enfiei em confusões financeiras assim, e morando nos EUA eu aprendi muito sobre controle financeiro, porque embora conhecido como um País consumista ao máximo, a forma deles de lidar com grana é muito legal, é muito consciente e eles aprendem isso desde pequenos.

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4. Você é uma mulher muito bonita e já comentou sobre a beleza de um modo geral, além de falar muito sobre auto estima. Como você lida com esses dois fatores?

Muito grata pelo ‘’muito bonita’’!!!

Eu acho que auto estima não está ligada somente a beleza e a forma como a gente se enxerga fisicamente. Auto estima vai muito além disso, mas eu entendo também que a beleza é a forma mais clara das pessoas entenderem um dos aspectos da auto estima, e por saber o tanto de problemas que as mulheres enfrentam por conta disso eu gosto de falar bastante sobre o assunto. 

A coisa não é brincadeira, são milhares de pessoas se mutilando, usando drogas pesadas, com depressão, com bulimia, com anorexia, com distúrbios alimentares em prol de um corpo bonito, que nem elas acreditam que é possível ter, já que o discurso é sempre de que, nenhuma mulher está satisfeita com o corpo que tem.

Ora, como assim?

Eu faço questão de mostrar para as pessoas que é possível sim a gente se achar linda, isso precisa ser falado nitidamente como uma coisa possível.

Eu falo muito sobre o equilíbrio também e atingir a perfeição me parece um pouco utópico, mas atingir o equilíbrio me parece ser um caminho mais possível e equilíbrio não significa viver no morno, mas isso é papo pra outra entrevista kkkk

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5. Como é a sua rotina num dia normal, qual é o seu lema pra vida?

Eu detesto rotina e demorei quase a vida inteira para me livrar dela. Não acho ela errada, aliás existem vários aspectos positivos para quem segue uma rotina, mas eu resolvi me assumir como uma pessoa que não gosta de viver assim e vou aprendendo a lidar com isso a medida em que a vida vai acontecendo. 

Já desencanei de achar que só pessoas com uma rotina super bem estabelecida é que tem sucesso na vida, hoje acho que não é bem assim que a banda toca, não ter rotina não significa não ter foco e objetivos na vida.

E vou ser sincera eu nunca tinha pensado em um lema… Acho a vida tão grande pra gente ter um lema, mas fui pesquisar melhor o significado dessa palavra e percebi que mesmo sem identificar que eu tinha um, eu tenho sim, mas também acho que ele pode mudar a qualquer momento.

Enfim o lema atual tem sido pensar em tudo que meu pai queria pra mim, eu mega infelizmente perdi ele há 3 meses e não tem nada que me motive mais do que pensar ‘’meu pai teria orgulho de me ver fazendo isso’’, esse pensamento tem me feito levantar da cama todos os dias e fazer muitas coisas. Eu honro muito tudo o que ele me ensinou, todo o esforço que fez para me criar da melhor forma possível, eu não vou desperdiçar isso e vou fazer valer a pena.

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6. Você é Coach de Vida, pode contar um pouco do seu trabalho pra gente? 

O meu trabalho é de uma responsabilidade imensa e eu não imaginava o quão responsável com o outro eu teria que ser ao me tornar uma Coach de vida.

A pessoa entra em contato comigo e os assuntos são variados: desmotivação, perda de peso, esquecer um grande amor, mudar de emprego, organizar a vida financeira e etc.

Nós definimos a quantidade de sessões e eu customizo os atendimentos, afinal cada pessoa funciona de um jeito, eu não tenho um programa onde eu aplico para todo mundo que chega. 

No processo de coaching individual, eu gosto de pensar com carinho em cada detalhe das ações que vamos tomar especificamente para aquela pessoa. E é uma dor e uma delícia!

Nunca é fácil lidar com a dor do outro, mas é muito bacana acompanhar de perto as mudanças positivas que as pessoas fazem em suas vidas por conta do coaching.

Eu tenho licença para ser coach, mas eu estudo todos os dias da minha vida, até porque como Coach eu sempre tenho que me analisar, não pode ter ego, não pode julgar e quanto mais eu estudo, mais inteira eu vou como a Coach Carol Herr pro meu cliente.

Eu sou completamente apaixonada pelo que faço e faço com todo amor, é uma entrega.

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7. Ano passado eu me submeti a um processo de coaching (ver aqui) e realmente me fez muito bem, mas, percebo que muita gente ainda é incrédula quanto a sua eficácia, você tem como avaliar isso ou depende de cada um?

Não existem garantias e só quem pode dizer se funcionou ou não são as pessoas que se submetem ao processo de coaching.

Absolutamente esse resultado depende de cada indivíduo, da fase da vida em que estão, do tanto que se abriram ao processo, do que esperavam, do que receberam, dos movimentos que fazem durante o processo.

O coach não vai te dizer o que fazer, o coach não é o cara que vai te dar respostas, ele vai te tirar da sua zona de conforto e você vai odiá-lo por isso.

A primeira vez que um cliente me xingou eu falei ‘’maravilha, estou no caminho certo!’’.

Um processo de coaching machuca muito, te faz rir, te faz chorar, te faz sentir raiva, te ajuda a se auto conhecer e não são todas as pessoas que estão dispostas a passar por isso tudo só porque buscaram ajuda.

Querer mudar e de fato praticar a mudança são coisas muitos diferentes.

Outro ponto importante é que nem tudo que funciona pra Maria, funciona pra João, por isso existem tantas formas diferentes de tratamentos por aí, encontrar o que funciona pra você é importante.

Muito obrigada, Carol, foi maravilhoso ter você no Beta Stories.

PS.: Secrets and Stuff com a Gabi (em Londres)

(Este post foi originalmente escrito em 6 de Setembro de 2016)

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julho 25, 2019 2:24 pm

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