Eu Não Sei Cozinhar

Eu Não Sei Cozinhar: Charutos da Minha Avó

      Mas a minha avó sabia, e como era boa a comida dela…   De todos os pratos que a minha avó fazia, um em especial, o charuto, tem lugar de destaque no meu coração e na minha lista das comidas preferidas da minha avó. Os tradicionais almoços de sábado ganhavam um gostinho especial quando a panela enorme era posta na mesa com uma infinidade de charutos dentro. Minha memória falha ao tentar resgatar se havia ali um ingrediente especial e secreto ou se os charutos eram enrolados de uma forma diferente.   Aparentemente era tudo normal, se avaliarmos a receita podemos, inclusive, confirmar, até o prato colocado por cima para acomodar melhor os charutos faz total sentido, mas hoje eu sei que os charutos da minha avó eram tudo menos normal, ela botava muita coisa ali que certamente não está na receita. Segredo de chefe, podemos dizer, ou melhor ainda, segredo de vó.   Ano passado, durante dias críticos de isolamento social, resgatei com minha mãe o caderno de receitas da vó Irene e fomos pra cozinha preparar charutos.   Eu nunca havia enrolado charutos antes, foi curioso, percebi que a folha do repolho possui veias semelhantes às veias de um pênis. Depois de embalar a carne moída dentro das folhas e encher uma panela de vários deles, tínhamos um bocado de pênis para o almoço e para todos os gostos: grande, fino, grosso, pequeno, molengo, forte e triste.    Comi 6 pênis.   Com certeza minha avó não teria gostado de ouvir essa minha descrição, desculpa, vó, eu não pude evitar, é a mais pura verdade.