Histórias

COMO FOI A MINHA NOITE DE ANO NOVO SOZINHA

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Final do ano passado fui para o interior passar o Natal com a família e a idéia era ficar na cidade até o Ano Novo,  só depois retornar para Belo Horizonte.

Como eu contei nesse post aqui, eu resolvi antecipar a minha volta. Senti vontade de estar na minha casa, senti vontade de estar com as pessoas que tinha aqui e senti vontades que eu nem sabia direito quais eram, sendo assim, dois dias antes da virada do ano, estava eu de volta, com tudo isso que falei, mas também, de certa forma, sozinha.

Eu não tinha nada programado ao certo, havia recebido alguns convites de amigos que passariam a noite de ano novo em casa, poderia ter ido viajar com o meu irmão e poderia ficar na minha casa sozinha, opção essa, devo dizer, era a que mais me apetecia, mas ao mesmo tempo, me amedrontava, afinal, eu nunca havia passado a noite de ano novo sozinha e, também em muitos anos, não passava solteira. Eu tinha quase 100% de certeza que entraria em um looping de ansiedade sem volta, caso ficasse sozinha mesmo, mas era o que mais me parecia provável.

Os dois dias que antecederam a virada do ano eu passei cheia de coisas pra fazer, encontrei amigas, tive almoços deliciosos, saí pra comer pizza com um casal de amigos que eu tenho verdadeira adoração e tudo isso contribuiu para que eu me mantivesse, não só ocupada, como também “em paz”, eu diria.

Dia 31 de dezembro chegou, era sábado, aproveitei pra deixar minha geladeira e meus armários lotados de tudo o que pudesse precisar, e passei o dia fazendo coisas que eu geralmente faço num sábado, sem stress. A tarde foi caindo, acabei enviando mensagens para alguns amigos, desejei votos de boas festas e finalmente recusei os convites que eu havia recebido. Eu ficaria em casa, estava decidida.

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Tomei banho, vesti a calcinha branca que eu havia ganhado de presente de aniversário da minha prima – e que eu esperava guardá-la para uma ocasião especial – vesti uma regatinha branca também, me perfumei e passei um blush com cara de saudável. Sentei na frente da televisão, porém logo me dei conta que eu não tenho muita paciência para televisão, e não seria naquele momento “especial” que eu ficaria plantada ali.

Fui até a cozinha, me servi um copo de cerveja, porque eu prefiro cerveja à qualquer outra bebida, e sentei na mesa com o computador na minha frente. Deixei uns petiscos do lado também.

Abre parêntesis

Eu passei Dezembro inteiro com uma dificuldade enorme pra escrever, não estava conseguindo de jeito nenhum. Além de não estar me sentindo inspirada, eu sentia dores nas mãos e no ombro direito, o que dificultava ainda mais. Eu não sei o que era real e o que era psicológico, só sei que não saia nada de dentro de mim.

Fecha parêntesis

Fiquei alguns minutos olhando para a tela em branco e tentando resgatar a minha grande paixão; que é escrever, contar histórias, relatar acontecimentos simples… Um pouco mareada pela cerveja, pelo fato de estar sozinha em casa na noite do ano novo e pelo medo se ser atacada pelo monstro da ansiedade, eu disparei a escrever.

Ouvi alguns fogos de artifício ao fundo, olhei no relógio e já eram 12 horas. Desejei os melhores sentimentos para todos os que amo – em pensamento – e segui escrevendo.

Depois de não mais conseguir digitar nada, fui dormir.

Acordei dia 01 de Janeiro de 2017 me sentindo muito bem, sem ressaca, sem dor de cabeça, sem ansiedade, o que, pra mim, foi o mais importante.

A minha noite de ano novo foi simples, eu não teria uma palavra melhor para descrevê-la, muito simples mesmo. Minha mãe me indagou no dia seguinte sobre o fato de eu ter ficado sozinha em casa, ela deve ter achado que eu estava/estou com depressão…

Sem depressão, sem mimimi, sem dores.

 

 

Talvez possa parecer estranho, mas foi bom, foi uma experiência válida. Alguma de vocês já passaram a noite de ano novo sozinha? Já cogitaram essa possibilidade?

 

 

 

(Ilustração Alessandra Olanow, Caligrafia minha)

12 Comments

  1. Lê Vilela

    18 de janeiro de 2017 at 18:07

    Beta, sua fofinha! Acho engraçado como o simples fato de curtir sua própria companhia é visto de forma negativa às outrascpessoas. Acho que antes de conseguirmos aproveitar ( 100% mesmo, na real) os outros, devemos saber aproveitar a companhia mais legal legal que podemos ter: nós mesmos. Chega de ansiedade e pré-conceitos (digo isso pra mim também), que esse ano seja repleto de realizações próprias!

    Um beijo!!

  2. Mônica Santos

    19 de janeiro de 2017 at 15:09

    Oi Roberta, tudo bem?!
    Mas por mais que não queiramos, ficar sozinha traz mesmo um pouco de ansiedade, mas também é muito bom! O tempo passa e vemos como, no caso da passagem do ano, era só um momento, e a vida segue normal, talvez não do jeito que gostaríamos, mas segue assim mesmo, e que bom estarmos vivos para seguir….um novo dia… novas oportunidades!!! beijo grande

  3. Eliana Barbosa

    19 de janeiro de 2017 at 15:45

    Beta !!! Que coincidência interessante … também passei a virada de ano sozinha. Sempre vou para o interior e fico do dia 24 até o dia 01/01 lá … mas neste Natal resolvi ficar em casa com meu pai, irmãos, sobrinho, cunhada … uma ceia simples, em que compartilhamos nossos desejos, orações e agradecemos por estarmos juntos novamente. O combinado seria ir para o interior no decorrer da semana, mas a cada dia que passava a vontade de viajar ia se esvaindo e nascendo a ideia de ficar em casa, sozinha (meu pai já havia viajado no dia 26) … Comprei alguns petiscos, um vinho que gosto muito, pesquisei alguns filmes online para assistir e baixei um livro que a muito tempo queria ler e sempre arranjava desculpas para adiar a leitura (Depois de você) . Passei o dia organizando gavetas lentamente, como se repassasse todos os acontecimentos do ano e ao final do dia, me aconcheguei em minha cama e iniciei a leitura … nem vi as horas passarem, quando de repente escutei alguém na rua gritando feliz ano novo. Parei e agradeci a Deus pelo ano anterior e orei para que este ano seja cheio de saúde e oportunidades. O sono me venceu e ao acordar no dia seguinte, me senti como você … sem grandes alterações … uma noite simples e um dia também simples se iniciava, feliz, tranquila e realmente em paz… #valeuapena #sozinhaefeliz

  4. Beta

    19 de janeiro de 2017 at 17:52

    Que coincidência mesmo, Eliana! Com um bom vinho e um bom livro a gente não está sozinha nunca! rs

  5. Beta

    19 de janeiro de 2017 at 17:54

    Concordo, Mônica! Minha prima me disse uma vez que não gostava de ano novo porque tinha hora marcada pra ficar feliz… Bem isso! Um beijo grande pra você também!

  6. Beta

    19 de janeiro de 2017 at 17:55

    Lê, adorei o “fofinha” haha. Sim, sempre vão achar que estar sozinha é estar largada e é justamente o contrário, né? Um beijo pra você também e um ótimo ano!

  7. Daniela Chaves de Almeida

    25 de janeiro de 2017 at 09:07

    Amiga Querida,
    Ainda vamos acreditar (porquer saber, já sabemos) que sempre seremos nossa melhor companhia…
    beijos,
    Dani

  8. Beta

    26 de janeiro de 2017 at 08:28

    Pura verdade, Dani, saber, a gente sabe, é colocar em prática! Um beijão!

  9. Renata

    14 de fevereiro de 2017 at 13:09

    Betinha, eu acho que eu AMARIA passar a virada sozinha (e também seria julgada pelas pessoas como se estivesse deprimida ou se não tivesse amigos). Já amo ficar sozinha e as pessoas acham estranho, já amo a época de recapitular o ano que passou e planejar o próximo… ia ser perfeito! Adorei que você foi feliz nessa noite e adorei essa percepção de que a gente pode perfeitamente estar mais confortável com a gente mesma. 🙂

  10. Beta

    15 de fevereiro de 2017 at 09:30

    Rê, a gente se importa muito com a opinião dos outros, né? E, sim, eu me diverti mesmo estando sozinha e aproveitei o silêncio pra recapitular e planejar tudo o que eu tinha direito!

  11. Lana

    21 de março de 2017 at 03:26

    Em 1998, eu estava morando em Vancouver fazendo um intercâmbio. No dia 31 todos tinham planos (não me chamaram, pá!), menos eu. Lembro que fiquei com o Hook, que era o labrador e fiel escudeiro da casa, tomando Baskin-Robbins direto no pote e assistindo TV. Não foi ruim, viu? No dia seguinte, peguei minha câmera e decidi ir para a Grouse Mountain e assisti um dos mais belos entardeceres da vida \o/ – PS: estou lendo seus textos aos poucos 😉

  12. Beta

    21 de março de 2017 at 20:32

    Oi Lana, essas experiências só nos fazem crescer, concorda! Que bom saber que está por aqui, leia sim, espero que se identifique com as minhas histórias! 🙂

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