De 0 a 10, que nota você daria para o seu cheiro?

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ilustracaoEu passei anos tentando descobrir o “meu cheiro”, não o cheiro da minha pele, mas aquele que faria as pessoas se lembrarem de mim ao menor sinal de sua brisa, no entanto, quando estava certa de o ter encontrado, desisti…

Sempre gostei de cheirinho bom, da casa cheirosa com aquele frescor de limpeza, de sabonete de mãos quando a gente sai do banheiro, de roupa levemente perfumada, e sempre achei muito elegante quando uma pessoa é capaz de ser reconhecida pelo cheiro:

“Nossa, a fulana acabou de passar pelo corredor” – E todos perceberam pelo cheiro do rastro; uma espécie de identidade olfativa.

Depois de passar anos usando Mamãe e Bebê, um perfuminho como o nome já diz, de bebê,  justamente pela suavidade e também por ser um dos poucos cheiros que não me provoca espirros, dado o meu alto grau de alergia à tudo, eu decidi que era hora de tentar algo mais adulto. Um cheiro que me fizesse ser percebida, da mesma forma que eu percebia os outros.

Escolhi o Yssey Miake, uma fragrância conhecida, primeiro porque estava apaixonada pelo cheiro nada adocicado e um tanto quanto misterioso, e também pelo fato de quanto mais tempo na pele estava, mais eu gostava. Sei que existem formas de averiguar o cheiro mais adequado para cada tipo de pele, da mesma forma que descobrimos a cor que melhor nos assenta, o corte de cabelo… Mas não, eu não busquei nenhum respaldo, fui pela minha intuição mesmo, e segui usando o perfume por alguns anos. Uma borrifada robusta depois do banho.

Em Janeiro de 2018 uma colega veio passar 1 mês na minha casa comigo, não sei como, terminamos uma conversa falando sobre como temos tantos cheiros artificiais (do sabão em pó, amaciante, shampoo, creme hidratante, gloss labial, perfume…) que fica realmente impossível saber qual é o cheiro – de verdade – do corpo.

Essa conversa acendeu uma luz dentro de mim, mas ainda segui despejando litros de amaciante na máquina de lavar roupas e borrifando doses mais que generosas do meu perfume escolhido, no pescoço e pulso.

Algum tempo depois dessa conversa, um amigo veio me buscar em casa para um evento e, enquanto acertávamos os detalhes por mensagem, ele “gentilmente” sugeriu:

“Sem perfume, Beta, por favor.”

Eu comecei a rir, achei que era algum tipo de brincadeira. Respondi dizendo que era tarde, que eu já havia borrifado o perfume. Quando ele chegou, entrei no carro e fui logo perguntando porque ele havia dito isso. A resposta veio em decorrência de um outro dia, quando mais um amigo estava com a gente e, tão logo me deixaram em casa, comentaram como o meu cheiro estava impregnado no carro . Mas não, eles não estavam elogiando a minha identidade olfativa, estavam falando sobre o exagero, sobre o quão forte o meu cheiro estava.

De novo, essa situação acendeu mais uma luz dentro de mim, e eu comecei a prestar mais atenção nos meus cheiros e em como eu gostaria de ser percebida através deles.

Numa outra ocasião, num contato mais próximo com uma pessoa, tive a oportunidade de refletir alguns minutos acerca do cheiro que eu estava sentindo, que não era perfume, era de pele. Tive a sensação de estar sentindo um cheiro amadeirado, com notas que me lembravam o sal do mar.  Não sei se cheguei a essa conclusão devido às taças de vinho que havia tomado (rs), mas fato é que uma terceira luz se acendeu dentro de mim, e eu me perguntei, ao fim, qual era o meu cheiro. Não o cheiro do Issey Miake, que poderia ser facilmente apropriado por qualquer pessoa, mas o meu, da minha pele, sem perfume, sem nenhuma outra interferência.

Nenhuma pessoa que elogiava o cheiro do meu perfume reparou que eu não o tenho usado mais. Eu também não estou sentindo a menor falta, uso hidratantes, quase sem cheiro algum, no corpo todo, e estou me redescobrindo feliz assim.

O que mais tem me chamado a atenção, quando entro num elevador com mais pessoas, ou vou dar um abraço forte em alguém, ou percebo aquele rastro de cheiro no corredor, me pergunto: Por que tão forte?  – Lembrando que eu era exatamente essa pessoa.

O que vocês pensam sobre isso? Pode ser que em algum momento eu sinta o desejo de usar um perfume de novo, ou que aprenda a usá-los corretamente, continuo admirando os cheiros, sobretudo os que já se tornaram a assinatura de algo ou de alguém, lugares com leves essências, mas, por enquanto, vou continuar assim.

Você já cogitou a possibilidade de não usar perfume?

Usar perfume pode parecer algo tão automático, que não nos ocorre que o mais natural, para uma verdadeira identidade olfativa, seria refletir sobre o real cheiro da nossa pele, o único que é só seu, concorda?

……….

Nota: Estou há 1 ano sem perfume, além da economia de dinheiro, tenho finalmente sentido o cheiro do meu corpo, que há tempos não sabia qual era.

Ilustração Maria Frois para o Beta.

PS.: 3 cremes de beleza que eu uso todo santo dia.

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maio 9, 2019 11:08 am

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