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É apenas o meu jeito

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Depois de muitos anos sendo considerada ‘desatenta’ eu resolvi pensar a respeito…

É bem provável que eu esteja cuidando deste e de mais uns 5 temas diferentes enquanto digito essas palavras. É bem provável que eu esteja conversando com você e juntando, ao mesmo tempo, outros fatos relacionados. Não é raro eu passar várias horas sentada no sofá matutando novas idéias.

Porque a minha mente pode ter estacionado em algum lugar por aí, alguém já logo se adianta que sou lerda, que não gosto de conversar, que estou triste, ou, ainda, contemplativa demais.

Nenhuma das alternativas. Esse é apenas o meu jeito.

A vida inteira me dirigiram comentários espirituosos para dizer que sou lerda, porém, mais recentemente, vivendo uma etapa “mais adulta” da vida, tenho percebido esses comentários com mais clareza e, devo dizer, como são irritativos.

Eu tenho vivo na minha cabeça vários desses momentos, porém, na maioria das vezes, a decisão de não estar presente é minha, tomada com consciência. Eu realmente escolho direcionar os meus pensamentos e comentários para causas que me interessam mais.

Muitos são os exemplos dessa expressão alienada. Já cansei de perguntar sobre algo que havia acabado de ser mencionado e eu não percebi. Já viajei horas de avião ou de carro quase sem me mover. Sou questionada por pessoas mais atentas se estou realmente acompanhando a conversa. Já fui eliminada de brincadeiras e jogos sem que eu nunca tivesse entendido o porquê (rs). 

Sim, as histórias são inúmeras e, de novo, eu diria: É apenas o meu jeito.

Á parte para onde o meu olhar aponta, eu geralmente estou muito feliz, e concentrada. Estou o tempo todo atenta a tudo o que acontece a minha volta, buscando os significados, a poesia das coisas. Minha cabeça não descansa enquanto não encontro a solução para um problema, meu, ou referente à algum trabalho.

No entanto, eu ainda tenho uma teoria para isso. Não sei se pela minha personalidade mais introspectiva, ou pelo fato de ser mulher, eu acredito que, em outras situações, ao invés de desatenta ou lerda, a coisa poderia ser vista com outros olhos, por exemplo:

“Olha, o João, além de lindo, é misterioso.”

“A Clara é tão inteligente, não é?”

“O Pedro é um cara tão focado.”

“Você deveria vê-lo jogando poker, parece uma raposa.”

“Não negocie com ela, ela vai te convencer a fazer o que ela quer.”

Mas, por algum motivo, eu sou lerda.

É verdade que muitas vezes eu me distraio facilmente. Sou adepta e praticante do “people watching” –  (People watching or crowd watching is the act of observing people and their interactions, usually without their knowledge.[1][2] It involves picking up on idiosyncrasies to try to guess at another person’s story. This includes speech in action, relationship interactions, body language, expressions, clothing and activities)

Isso porque, como eu já disse, sou interessada pela vida real, gosto de ver o comportamento das pessoas em situações corriqueiras. Eu vejo inspiração e poesia em qualquer história. “Eu te amo tanto que você nem imagina” – Ouvi outro dia de um casal quando atravessava a rua e, por sorte, não fui atropelada. (rs) Mas eu ouvi bem, nunca vou me esquecer, e vou usar como inspiração quando for conveniente.

Eu gostaria de solicitar uma mudança na comunicação. Ao invés de lerda, que tal alguma coisa como “ela é tão interessante.” Não soaria muito melhor?

Meu olhar alienado pode não depôr ao meu favor, mas, eu tenho um monte de trabalho pra fazer, vida pra viver, muitos pensamentos pra pensar, e alguns sonhos pra realizar. Eu posso mesmo estar transitando em outra galáxia enquanto você tenta me dizer sobre o próximo must have da estação, mas isso não quer dizer que eu não me importe, que eu não preste atenção em nada, muito pelo contrario, É APENAS O MEU JEITO, dentre milhares de jeitos de milhares de seres humanos.

Temos muito com o que nos preocupar: A política do nosso país, a respiração consciente, a paz mundial, a busca pela essência do eu, enfim… Sobre o meu jeito, posso te garantir, é apenas um jeito de tentar absorver todo o sentimento do mundo, de não perder nenhum detalhe dessa atração chamada vida.

(Ilustração Maria Frois para o BETA)

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