Este apartamento no centro de Belo Horizonte é um oásis acolhedor

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Bruno Gripp vive com a sua companheira num receptivo apartamento no centro de Belo Horizonte, e com quem mais queira chegar, uma vez que as portas estão sempre abertas. Aqui ele conta a sua relação com a casa, pessoas e plantas: “Um princípio que gosto, é o de que aquilo que é natural transmite algum tipo de conforto ao ser humano. Gosto de pensar que somos bicho, e bicho se recente de falta de contato com a natureza. O homem produz muitas coisas bacanas, mas na cidade essas coisas estão por toda parte, em exagero. É por isso que qualquer contato (visual, tátil, etc.) com qualquer pé de planta ou pedaço de madeira gera satisfação. Pelo menos em mim é assim que funciona”

Veja um pedacinho desse oásis no centro da cidade…

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Um pouco da história: Passei a infância e a adolescência em uma casa totalmente aberta aos amigos e à família, uma espécie de QG de todo mundo. Era comum acordar aos sábados e domingos e encontrar algum amigo batendo um papo com a minha mãe no andar de baixo, ou mesmo dormindo na rede da varanda. E mesmo em dias de semana, sempre havia alguém disposto para uma conversa, para ouvir um som, fumar um baseado ou ver um jogo na TV. Não era necessário nem chamar no portão, bastava emitir algum som e chegar chegando.

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Uma casa com cultura: Mas voltando à casa, lá sempre havia música, o som vivia ligado, às vezes no talo. Muita MPB e Rock’n’roll, e na adolescência pagode e todo tipo de música comercial que fazia a cabeça da molecada. A casa era moldada para o acolhimento. Nessa casa fizemos muitas festas, fizemos um sarau, plantamos todo tipo de árvore, montamos quebra cabeças gigantes de forma coletiva, jogamos xadrez e pôquer, e embora não fosse grande, hoje penso que aquilo ali era um mundo.

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Casa sustentável: Digamos que essa foi minha escola, de lá pra cá sempre construí uma ligação forte com as “minhas casas”. Me disponho a pensar e transformar o espaço como forma de torná-lo mais pessoal e funcional, quiçá bonito. Uma das minhas estratégias é garimpar em topa-tudo ou mesmo no lixo (é isso mesmo, no LIXO) objetos ou móveis que possam ser aproveitados. Depois de recuperados ou de sofrerem algum tipo de adaptação eles passam a fazer parte da casa, carregados de histórias. Fora os móveis achados, faço os desenhos e mando construir aquilo que acho que a casa precisa.

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Vida prática: Já morei em quatro apartamentos diferentes, dois deles em Porto Alegre. Voltei para BH em 2016 e hoje moro no centro da cidade junto com minha companheira, uma mulher extraordinária. Costumo brincar que não troco nosso endereço por nenhum outro da cidade. Para o nosso atual estilo de vida, sem filhos, está excelente. Meu percurso regular até o trabalho é de 800 metros (segundo o Google Maps). E para ir até a Cafeteria que abri na Savassi, a menor do mundo – você precisa conhecer o Copo Café – gasto uns 5 minutos de bicicleta. Meu dou ao luxo de não ter carro, só uma bike elétrica que me leva para todo lado e que ameniza as ladeiras da cidade e as dores do meu joelho podre. Carrego na tomada igual a um celular. Com ela faço os pequenos percursos em muito menos tempo do que os carros, e com muito mais diversão. Fora isso, ando de ônibus, “aplicativo”, patinete elétrica, ou a pé.

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Crie espaços e plantas: A configuração do nosso apartamento atual atende bem as nossas necessidades. Além de ter um quarto de hóspedes, melhor se tivesse mais um, temos uma varanda. É um espaço pequeno, mas o suficiente para ter um banco e algumas plantas, o que termina por mudar tudo. Assim que alugamos o apartamento, peguei esse canto e tratei de agregar elementos naturais em todas as suas dimensões. Até pedra no caminho eu tô topando. Além disso, natureza à abundância e beleza. Basta reparar: Caso crie uma babosa, repare como ela parece um animal marinho. E se você tem um pé de pimenta, ele vai produzir mais pimenta do que você é capaz de comer. E se for um pé de boldo, logo e ele vai ter mais folhas do que as suas ressacas vão demandar. E por aí vai…

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A floresta no centro: No final da contas, essa varanda passou a funcionar como um elo com a minha antiga casa e, por conseguinte, um elo comigo mesmo. Nela eu posso continuar inventando e me surpreendendo. Um dia, um beija flor que aparece do nada. Noutro, um pé de limão que parecia ter se afogado renasce mais forte do que nunca. E é nessa varanda que dá pra pisar na madeira ou nas pedras ou enfiar a mão na terra em pleno centro da cidade. E é lá também que as visitas gostam de sentar para bater papo, tomar uma cerveja, um vinho, ou fumar um cigarro. Lá é onde dá pra ouvir a música tocando dentro de casa, misturada com o som que vem da rua. Acho que ali na frente eu vou lembrar dessa pequena varanda e vou pensar, novamente, que aquilo ali era um mundo.

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(…) uma casa para todos e beleza para todos. E a beleza não é cara. É geralmente menos cara do que a fealdade que quase sempre se chama luxo, monumentalismo, pretensão. A beleza é simplicidade, verdade, proporção. Coisas que dependem muito mais da cultura e da dignidade do que do dinheiro.” (Andresen , Sophia)

Muito obrigada, Bruno!

PS.: Aqui eu compartilhei um cantinho especial do meu apartamento, que não por coincidência, fica no mesmo prédio do apartamento do Bruno. Sorte a minha tê-los como vizinhos.

(Fotos de Maria Frois para o BETA)

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abril 29, 2019 9:48 am

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