Fotografias incríveis ou ego trip: você escolhe o ponto de vista

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Eu não tirava foto, quero dizer, não me permitia ser fotografada, nunca, jamais, em tempo algum.

Só que eu mudei…

Desconsiderando as fotos dos álbuns de infância, que guardo todas com muito carinho, e as fotos tiradas com as amigas em momentos pitorescos, na adolescência, que também conservo para risadas garantidas, eu tinha pavor de qualquer outra foto.

O motivo de eu detestar tanto tirar fotografias, se devia ao fato de que eu não gostava do que eu via, ou seja, da minha própria figura estampada na foto. Eu implicava com o meu sorriso, que nunca gostei, com o tamanho do meu nariz, grande demais, com o meu cabelo, sempre desajeitado, com a largura dos meus ombros, estreitos demais, com a minha altura, baixa demais, com o volume das minhas coxas, grossas demais, resumindo, eu só via os defeitos. Mas, detalhe, só eu os via, mais ninguém, mas, ainda assim, eu tinha a plena certeza da desconfiguração da minha imagem, destorcidíssima na minha cabeça.

Durante o período em que mantive uma empresa na área da moda, não era raro era a necessidade em tirar fotos, fosse para o portfólio da empresa, ou para estampar algum conteúdo nas mídias – que começaram a surgir naquela época – a verdade é que fotografias eram precisas, e eu, morria por dentro, toda vez que alguém me chamava para registrar o momento.

Tanto sofrimento, que tinha como fundamento a minha própria não aceitação, começou a me incomodar demais, atrapalhar a minha vida mesmo. A fotografia deixou de ser uma fotografia apenas, havia se tornado uma tortura interna comigo mesma.

Num dado momento, que não foi do dia pra noite, óbvio, foi um processo, eu percebi que eu só tinha um sorriso, um cabelo, um nariz, um corpo, uma história, e que se eu não a acolhesse, viveria uma vida guardada dentro de mim mesma. Fui, aos poucos, me permitindo aparecer mais, conversava com as pessoas sobre isso e ouvia os conselhos, então me deixei ser fotografada, num ensaio que eu mesma criei, e gostei do resultado. Gostei do que eu vi, da minha imagem física, mas gostei sobretudo do sentimento que aquelas imagens me proporcionaram, e então eu entendi que as fotografias incríveis que eu tanto admirava na internet, revistas e exposições, de mulheres famosas ou não, não me diziam muito sobre a estética, que sempre admirei e considerei importante também, mas me diziam sobretudo ao sentimento, havia algo nelas que me fazia sentir algo diferente.

Esse algo diferente é o que tenho buscado, não é nada mirabolante, é a emoção, o brilho no olho mesmo de um olho fechado, a poesia, isso é o que me desperta e é isso que eu entendi que quero passar também. Assim sendo, eu aceito ser fotografada, porque a beleza que eu espero transmitir não é a minha beleza física, mas a beleza da minha alma.

Tem 3 anos que eu faço questão de registrar grande parte dos momentos especiais que vivo, ou crio situações para produzir imagens e registrá-las, para o meu trabalho ou para a vida, tanto faz, o que importa é que tenho amado ver e rever essas fotografias incríveis onde eu apareço, contando que eu consiga transmitir algo, ainda que seja somente pra mim, tá valendo!

Eu adoro o Pinterest, uma mídia social cujo objetivo é inspirar através de fotografias incríveis – uso muito a plataforma para este fim. Além das inúmeras pastas que eu fui criando ao longo do tempo, para abastecer o meu olhar, criei também uma pasta com as minhas próprias imagens, entitulada “Fotografias incríveis: vida real e poesia”, para que eu possa, ao buscar fotografias incríveis para me inspirar, poder olhar também para as minhas, junto com tantas outras naquele mar de imagens, e gostar do que eu vejo, me inspirar em mim mesma, afinal, essa é a única história que eu poderei verdadeiramente contar.

NOTA:

Foto 1: Eu sempre gostei de ver imagens de mulheres fumando, tipo Kate Moss, Jane Birkin, não sei porquê, elas me remetem a algo como “sou independente, faço o que quiser da minha vida”. Em 2017, quando fiz minha primeira viagem sozinha, para Buenos Aires, fiz questão de tirar uma foto assim e deixar registrado o meu grito de independência. Foi tirada pelo Henderson Moret.

Foto 2: Trabalhei num projeto longo de reposicionamento para a marca de vestidos de noiva L’ Appartement  e, como conclusão do trabalho, fizemos algumas imagens para ilustrar o brandbook onde eu fui a noiva. Imagina eu, que nunca havia vestido um vestido de noiva na vida, me deixei registrar, sorrindo. Que ironia, não? (rs) Foi tirada pela Karin Lasmar.

Foto 3: Depois que terminei um relacionamento muito longo, no meio de uma reforma da minha casa, me vi sem chão, literalmente, na casa e na vida. Essa foto foi logo depois da separação e ilustra o sentimento. A casa tava sem piso, mas eu juro que eu tava tentando encontrar o meu. (rs) Foi tirada pela Karin Lasmar

Foto 4: Essa imagem é uma fotografia analógica, foi tirada recentemente, junto com algumas outras, para alimentar este blog e os meus perfis profissionais. Além de eu amar fotografia analógica, a cor, a lembrança que isso me remete, eu amei ver a minha tatuagem retratada dessa forma. Um belo lembrete. Foi tirada pela Julia Amaral.

Foto 5: Para comemorar tanta coisa boa que eu estava vivendo e tanto trabalho fantástico nos quais estava envolvida, resolvi fazer, no final de 2017, uma Exposição dos meus trabalhos de Caligrafia e comemorar meu aniversário. Ver tantas pessoas queridas comemorando comigo foi algo que não consigo nem descrever, parece que vivi um sonho. Foto tirada pela Maria Frois.

……….

Visitem meu perfil no Pinterest para ver muitas outras fotografias incríveis que eu estou agrupando por lá. E, espero que sirva de incentivo pra você se fotografar mais também, eu asseguro, é terapêutico olhar para a própria imagem com olhos de amor.

PS.: Tem um post sobre a festa que eu dei na minha casa sem piso. Aqui.

PS.: Tem a história toda da Exposição de Caligrafia. Aqui.

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junho 12, 2019 3:24 pm

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