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Livro: A elegância do ouriço

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Você já leu A elegância do ouriço? Esse título não é um tanto quanto curioso?

No entanto, a única e breve menção ao título, ao longo do livro todo, é tão descomplicada, (e “terrivelmente elegante”) que só reforça o sentido da história .

Este livro é, sem pestanejar, o melhor livro que li nos últimos tempos, graças as inúmeras vezes que a minha amiga, Ana Paula, ressaltou veementemente suas qualidades e eu acabei comprando.

A história do livro é narrada por uma concierge de 50 e poucos anos e por uma adolescente de 12, no número 7 da Rue de Grenelle, em Paris, num edifício tradicional de gente rica e fresca, com personalidades bem diversas, que vão se entrelaçando e se desvendando ao caminhar da narrativa. Contém filosofia.

Algumas passagens preferidas:

 “Aí vai, portanto, meu pensamento profundo do dia: é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. Isso pode parecer trivial, mas acho, mesmo assim, que é profundo. Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. (…) Do meu lado, suplico ao destino que me conceda a chance de ver além de mim mesma e encontrar alguém.”

 “E não falo dessa espécie de beleza que é domínio exclusivo da Arte. Os que, como eu, são inspirados pela grandeza das pequenas coisas a perseguem até no coração do não essencial, onde, revestida de trajes cotidianos, ela brota de um certo ordenamento das coisas ordinárias e da certeza de que é como deve ser, da convicção de que é bem assim.”

“Para que serve a Arte? Para nos dar a breve mas fulgurante ilusão da camélia, abrindo no tempo uma brecha emocional que parece irredutível à lógica animal. Como nasce a Arte? Nasce da capacidade que tem o espírito de esculpir o campo sensorial. Que faz a Arte por nós? Ela dá forma e torna visíveis nossas emoções, e, ao fazê-lo apõe o selo de eternidade presente em todas as obras que, por uma forma particular, sabem encarnar a universalidade dos afetos humanos.”

“Na cena muda, sem vida nem movimento, encarna-se um tempo isento de projetos, uma perfeição arrancada de uma duração e de sua exausta avidez – um prazer sem desejo, uma existência sem duração, uma beleza sem vontade. Pois a Arte é a emoção sem o desejo.”

“Eu, ao olhar aquela haste e aquele botão, intuí num milésimo de segundo a essência da Beleza. (…) Porque o que é bonito é o que captamos enquanto passa. É a configuração efêmera das coisas no momento em que vemos ao mesmo tempo a beleza e a morte. (…) Estar vivo talvez seja isso: espreitar os instantes que morrem.

“Nas alamedas do inferno, sob o dilúvio, fôlego cortado e coração à beira dos lábios, num diminuto clarão: são camélias.”

“Que fazer
Diante do nunca
Senão procurar
Sempre
Em algumas notas furtivas?”

“A beleza neste mundo.”

 

Me conta se você já leu e o que achou. Caso não tenha lido, por favor, leia.

 

(Imagem do delicioso perfil @hotdudesreading)

 

 

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