Livro: Amiga Genial e a tetralogia de Elena Ferrante

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E agora, um dos meus assuntos favoritos: livros! O que vocês estão lendo no momento?

Eu terminei a série napolitana de 4 livros, da escritora anônima Elena Ferrante, e ainda não comecei nenhum outro, pois sigo digerindo essa história, longa história…

Tudo começa no subúrbio de Nápoles e desenrola por toda Itália. Elena Greco é quem narra a história, com o intuito de deixar registrado todos os minuciosos detalhes da sua atribulada amizade com Rafaela Cerullo, ao perceber e relatar, logo nas primeiras páginas do primeiro romance,  que esta havia desaparecido, ao final dos mais de 40 anos narrados pelos 4 livros.

Ao mesmo tempo que vivíamos juntos a competição, intrigas, amores e toda a vulnerabilidade entre as duas amigas, o subúrbio de Nápoles, principalmente o bairro onde as duas amigas nasceram e passaram a maior parte da vida, vivia a crise do pós guerra; é este o paralelo que prende a atenção do leitor e enaltece a narrativa, que faz com que acreditemos que essa história poderia ser a minha ou a sua.

Eu preciso citar aqui apenas um trechinho de uma das obras, fora de qualquer contexto, porque você vai se identificar logo, ou desistir da leitura, eu aposto na primeira:

” Tudo bem?”
” Tudo. E você?”
“Bem.”

“Não falei nada sobre mim; ela, nada sobre si. Mas as razões daquele laconismo eram muito diferentes. Ao que me acontecera eu não tinha nenhuma intenção de dar palavras: era um fato nu, se referia a meu corpo, à sua reatividade fisiológica; que nele, pela primeira vez, tivesse se introduzido uma parte minúscula do corpo de um outro me parecia irrelevante: a massa noturna de Sarratore não me comunicava nada, salvo uma sensação de estranheza, e era um alívio que tivesse se dissipado como um temporal que não chega. Ao contrário, me pareceu evidente que Lila se calava porque não tinha palavras. Senti que se mantinha num estado sem pensamentos ou imagens, como se, afastando-se de Nino, tivesse esquecido nele tudo aquilo de seu, até a capacidade de dizer o que lhe acontecera, o que estava acontecendo. Essa diferença entre nós me deixou melancólica. Tentei vasculhar minha experiência na praia para ver se achava algo de equivalente ao seu alheamento doloroso-feliz. Também me dei conta de que nos Maronti, em Barano, eu não tinha deixado nada, nem mesmo aquele novo eu que se revelara a mim. Tinha levado tudo comigo e por isso não sentia a urgência que, ao contrário, eu lia nos olhos de Lila, em sua boca entreaberta, nos punhos cerrados, a urgência de voltar atrás, de reintegrar-me a quem eu tive de deixar. E, se aparentemente minha condição podia parecer mais sólida, mais compacta, o fato é que, ao lado de Lila, eu me sentia pantanosa, terra demasiado impregnada de água.”


Contar uma história, ainda que de ficção, com esse preciosismo e intimidade, mesclando acontecimentos políticos com outros cotidianos, faz de todos os 4 livros, uma obra sensível da vida real e um registro social de todos os lugares por onde passaram e viveram Lila e Lenu.

Foi o meu primeiro contato com a autora e, vou te dizer, gostei muito!

……….

PS.: Livro: A elegância do ouriço. Maravilhoso!

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maio 29, 2019 7:49 am

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