Relacionamento

NOTA PESSOAL: SOBRE O INSTAGRAM E TODAS AS OUTRAS (FORMAS DE EXPOSIÇÃO) MÍDIAS SOCIAIS

brunch_betastories

No início do ano, depois de ter desfrutado da minha própria companhia na noite de ano novo, eu amanheci no dia primeiro de janeiro tão bem, a ponto de encarar de frente todas as minhas resoluções para aquele novo ano, uma delas, e talvez a mais urgente, dizia respeito sobre o tempo que eu dedico ao celular, mais precisamente para o whatsapp e para o Instagram. Eu estava decidida a cancelar a minha conta no Instagram, não queria mais me ver tentada a passar o tempo desfrutando a vida alheia e não a minha própria; tampouco queria esquecer que o meu foco é, sempre foi, e sempre vai ser, este espaço aqui. O conteúdo que eu produzo deve ser direcionado primeiramente para o blog, e não era isso que estava acontecendo.

Confesso que eu não consegui realizar essa tarefa de imediato, eu ainda gosto muito de postar no Instagram, tenho prazer em pensar nas fotos e nas legendas e, de verdade, me sinto muito apegada também. Además, poucos dias depois, eu recebi duas mensagens tão motivadoras através do Instagram – sem esquecer das inúmeras que eu recebo diariamente das mais diversas formas – que eu resolvi rever a minha decisão: Não ficaria sem o meu perfil (@betastories) mas não me deixaria ser refém dele, depois disso, a frequência das minhas postagens diminuiu consideravelmente e pode ser que diminua ainda mais…

Eu sempre tive pânico de parecer fake, ridícula, inadequada, demorei quase 10 anos para ter coragem de encarar uma câmera profissional, não consigo me identificar com perfis e pessoas que não me cativam de alguma forma, não entrego um trabalho que eu não me orgulhe antes, adoro ouvir histórias de pessoas interessantes e, finalmente, entendi que posso e devo falar sobre aquilo em que acredito, de forma leve, sem que isso se torne um peso ou um excesso de exposição.

Não estou dizendo que fotos produzidas não condizem com a realidade, não no meu caso, que graças a um longo processo de aceitação, eu tenho feito – e pretendo fazer sempre que achar relevante. Essas fotos bonitas e produzidas querem dizer apenas que eu estou fazendo com mais capricho, que as histórias aqui contadas estão sendo ilustradas com uma qualidade maior. Meu objetivo continua sendo falar da vida, com amor, design e cílios postiços, porque não?

Da mesma forma que eu quero postar fotos lindas e profissionais, também posto uma selfie largada no sofá da casa do meu pai e isso faz todo sentido pra mim. Eu consigo me enxergar nos dois momentos e gosto da estética das duas fotos, além do mais, elas me fazem lembrar, e a quem possa acompanhar as minhas histórias diárias, que por aqui as coisas funcionam assim: Um dia estou muito bem tomando um café com bolo e no outro estou lutando contra uma crise de ansiedade, num eterno sobe e desce. O que eu não acho que seja ruim, de forma alguma, é a vida, apenas isso.

Ultimamente, tenho conversado com muitas pessoas sobre isso, e foi surpreendente o relato que ouvi de algumas delas, vejam:

K: “Deletei meu Instagram porque sim, quero mais horas no meu dia”

M: “Vou tentar ficar menos tempo no Instagram, sinto que está me prejudicando a aceitar a minha própria vida”

A: “Roberta, não adianta você insistir, o meu Instagram não vai ter legenda, não quero me preocupar com isso”

N: “Eu quero um Instagram impecável. Quero que tudo seja planejado e profissional”

R: “Me lembrei de você, Roberta, estou com vontade de apagar todas as minhas mídias”

T: “Depois que comecei a seguir pessoas famosas, o meu número de curtidas aumentou”

Tantas opiniões diferentes me levam a refletir ainda mais, não estou interessada no futuro das mídias sociais, sinceramente, quero refletir sobre o que eu quero para a minha vida, sobre qual é a mensagem que eu quero passar e como vou fazer para que ela chegue até as pessoas; sobre as mídias sociais, sei que esse jogo está apenas começando, hoje é o Instagram, amanhã não se sabe qual será. E por isso me convenço cada vez mais que, as mídias sociais são ótimas vitrines sim, mas antes delas está a relevância e a verdade do trabalho que estamos divulgando.

Eu já falei aqui nesse blog sobre fracasso, sobre o perrengue que eu passei quando a minha empresa fechou, falei sobre a minha separação, falei inúmeras vezes sobre ansiedade, sobre os desafios de ser autônoma, e mais um bocado de assunto nada glamouroso, zero de apelo estético e de audiência, mas ainda assim eu falei, e a minha decisão de falar é pautada sempre no meu próprio interesse: eu amo ouvir histórias de pessoas normais (por isso conto muitas delas aqui), quero saber como a pessoa se reinventou depois de uma queda, uma demissão, como administra as multi tarefas do dia a dia, que livro está lendo… Assuntos do cotidiano me interessam, a vida como ela é atrás das telas me interessa e me inspira. Por isso eu trago ela pra cá.

Uma amiga me abordou, depois que eu escrevi sobre o tal ano novo sozinha, sobre como eu era corajosa em relatar tudo aquilo, que, caso fosse ela, não gostaria que ninguém ficasse sabendo. Eu fiquei surpresa com isso… Corajosa, eu? Fato é que o meu reveillon sozinha me rende muito menos audiência do que o reveillon em Fernando de Noronha da minha vizinha de internet, mas, de novo, são escolhas. Eu escolhi falar sobre o que eu tenho e o que eu vivo, a minha vida é essa, eu não poderia falar sobre outra coisa. Da mesma forma que cada um também escolhe o que quer consumir.

Estou escrevendo tudo isso porque acredito que, de noite, quando todo mundo coloca a cabeça no travesseiro, as angústias são as mesmas, as ansiedades, e os medos também. Acredito que a graça da vida está genuinamente nas pequenas coisas, que a simplicidade é algo tão óbvio quanto complexo, que a gente fica andando em círculos (me incluo aqui) por ainda darmos ouvidos ao que o outro vai pensar ou dizer, ou quantas curtidas eu vou ter se postar tal foto, a sofrer por antecipação por algo que nem sequer aconteceu, e pode ser que nem aconteça… Quantos de nós, de verdade, pensamos: Quantas pessoas eu vou impactar positivamente com esse conteúdo? O que eu quero dizer com essa foto, com essa legenda?

Provavelmente nenhum de nós vai conseguir inventar nada de novo, já está tudo aqui, a única coisa que podemos fazer é oferecer a nossa perspectiva de olhar, para o outro, porém, nos cabe julgar: quero ser chato ou quero ser legal? Quanto tempo me vale e me custa dizer ao mundo tudo o que eu penso; vale a pena?

Deixo aqui, uma frase do meu filósofo preferido, Cortella, pra nos inspirar também:

“Faça o melhor que você pode, com a condição que você tem, até que você tenha condição de fazer melhor ainda”.

O que você me diz sobre isso? Qual é o seu objetivo com a mídia social?

…………….

Achei válido trazer pra cá dois comentários que recebi, pra gente ver como nossas histórias são parecidas:

Adriana disse: Que delícia Beta… amei seu relato e sim, já passei por duas experiências parecidas e que foram muito prazeirosas… Em uma delas, viajei para Salvador (o objetivo era passar o ano novo por lá com alguns amigos), mas optei por ir antes de todos, e passei o Natal sozinha… mas incrivelmente, foi um Natal mega feliz, simples e sem qualquer sentimento de solidão… andei, olhei, senti a cidade e senti uma plenitude inexplicável… a outra situação foi um carnaval que por opção, fiquei em SP… não quis viajar com amigos, não fui ver minha família no interior… fiquei só, comigo e com aquela cidade tão especial…

Dora disse: Eu também passei Natal e Réveillon de 2015 só. Por opção. Meus filhos , já homens, foram para a casa das namoradas, sem culpa ou cobrança minha. Vale lembrar a mesma situação: dura e sem mimimi. E tb recusando convites. Nos dois dias me senti feliz. Bem comigo.. ria sozinha. Brindei comigo. 
Um beijo. Deu vontade de contar.

(A foto que ilustra o post é do Brunch que eu compartilhei com uma amiga no último sábado, não que vocês possam estar interessados, mas ele de fato existiu; veio do Instagram)

6 Comments

  1. Bruna Figueiredo

    6 de abril de 2017 at 14:03

    Você é pura inspiração! Amo seus posts e estou amaaando as fotos! beijo grande S2

  2. Aline

    6 de abril de 2017 at 14:35

    Incrível como vc consegue de fato descrever fatos cotidianos e as vezes polêmicos com tanta doçura e leveza no blog!
    De fato muitas pessoas se tornam reféns das mídias sociais e ao comparar suas vidas as daqueles que se vendem no instagram, acabam por achar suas vidas medíocres!
    No meu caso, utilizo a mídia social como álbum de fotografias que compartilho com minha família e amigos os momentos que vivi e que foram especiais pra mim. Tão simples quanto isso! Pode-se reparar que as legedas não são meu forte!
    Ah, quero deixar aqui o meu apelo: por favor, não deleta o insta! Sou fã das chamadas para o blog, fotos, legendas e da modelo!!
    Bjo grande Beta!

  3. Raquel

    7 de abril de 2017 at 09:34

    Beta, não tem uma música assim: eu te amo você / não precisa dizer o mesmo, não. /Mas não quero te ver / me roubando o prazer da solidão?
    Acho que é isso!
    Depois que meu pai faleceu no ano passado, eu me isolei um pouco também. Quero sentir a vida mais forte. Quero viver intensamente. E nesse isolar, acabei deixando minha mãe sozinha e sentindo certa culpa por isso. Mas vejo que ela tb tem que ver o prazer de estar só pra ser um dia junto de novo. É paradoxo, mas é o que sinto. Obrigada pelo texto, beijos!

  4. Beta

    9 de abril de 2017 at 11:17

    Obrigada, Bruna, fico feliz que esteja gostando, só preciso pegar umas aulinhas com você! Um beijo grande pra você também!

  5. Beta

    9 de abril de 2017 at 11:19

    Verdade, Aline, que a gente utilize nosso espaço virtual com aquilo que nos é relevante, se no final do dia, ainda conseguirmos inspirar alguém, terá valido a pena!
    Não vou deletar meu perfil, sou muito apegada a ele, mas tenho me policiado! kkkk
    Beijo e saudades!

  6. Beta

    9 de abril de 2017 at 11:21

    Oi, Raquel, eu que agradeço por ter compartilhado um pedacinho dessa história com a gente! Um beijo grande!

Leave a Reply