SECRETS AND STAFF (EDIÇÃO PROFISSIONAL) – HELENA ANDRADE

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Porque quando eu falo que trabalhar em um Coworking tem inúmeras vantagens, vocês podem levar a sério esta informação. Prova disso é esta edição especial do Secrets and Staff com a Helena. Uma moça que chegou no Guajajaras tímida e bastante concentrada, mas que bastou ela sentar na minha frente um dia, para que o nosso papo rendesse a tal ponto de chegar aqui no blog!

A Helena é Publicitária e trabalha em uma grande e tradicional Agência de BH, trocamos muitas idéias sobre o Mercado, sobre Branding, sobre o Mestrado que ela está cursando. E, de tão bacana a nossa conversa, achei que valeria a pena dividir com vocês. Para quem é da Comunicação, ou quer se Comunicar de alguma forma, vai valer demais as informações, para quem não é, vale a pena conhecer e se inteirar um pouco mais deste mercado que se reinventa a cada dia.

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1. Oi Helena, você pode nos contar um pouco da sua trajetória dentro da Comunicação?

Sou formada em Publicidade e Propaganda há quase 10 anos, pela PUC Minas. Comecei fazendo estágios em diversos lugares e, quando estava quase formando, fui chamada para trabalhar na área de atendimento da Tom Comunicação, onde fiquei por dois anos. Mas, minha grande paixão sempre foi a área de Planejamento. Sempre gostei de pesquisar, de pensar a estratégia, de me debruçar sobre um problema e traçar possíveis caminhos e soluções. Por isso, em 2007 fiz um curso de pós-graduação em Gestão de Marcas e Identidade Corporativa e passei a atuar na área, na qual trabalho até hoje. E, desde 2012, trabalho no Planejamento da New360, agência de comunicação que atende clientes tradicionais de Minas Gerais, tais como o Sistema FIEMG e o SEBRAE Minas. E, como sou “caxias”, gosto de estudar e de me manter atualizada, faço desde 2013 Mestrado em Administração, com foco em Estratégia e Marketing. O tema da minha dissertação é Consumo Colaborativo.

2. Você trabalha em uma grande agência a tem a oportunidade de acompanhar grandes clientes em projetos importantes. Como você lida com o ambiente da agência e conseqüentemente com a pressão que esse ambiente deve gerar?

Engraçado, não é que eu gosto desse tipo de ambiente? É muita pressão mesmo, mas é um clima que nos motiva a pensar o novo todos os dias. E isso é bom, não nos deixa estagnar. Em agência não tem muita rotina, burocracia (claro que tem, mas em uma intensidade muito menor do que em outros lugares), os processos de trabalho são reinventados continuamente, os prazos são apertados e alguns trabalhos parecem gincana… Como alguns dizem, “é um vício”. No Planejamento, então, a cada dia estamos pensando um trabalho para um cliente diferente. Ou diferentes trabalhos para um mesmo cliente. Eu gosto. Já tentei sair uma vez, em 2011, e voltei correndo…rs. O segredo, que a gente aprende com o tempo mesmo, é não levar certas coisas para o lado pessoal e saber se desligar do trabalho sempre que possível. E, para tal, ter um hobbie ou alguma outra atividade fora do trabalho é fundamental.

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3. Eu estive com o Coordenador do curso de Comunicação da Faculdade em que me formei e percebi que ele (o ambiente acadêmico) ainda está muito embasado no universo de Agências de Publicidade no seu modelo tradicional, enquanto eu acredito que o mercado mudou muito de 10 anos pra cá. Hoje, existem milhares de outras formas de se fazer Comunicação/Publicidade, vide os pequenos estúdios de criação personalizada que temos visto por toda parte. O que você acha disso? Qual é a cultura da sua agência em relação a este novo cenário?

O modelo tradicional de agências acabou, virou enredo para seriado tipo Mad Men, rsrs.  E eu tenho visto isso hoje de perto. Cada vez mais, as mídias tradicionais têm dado lugar para as mídias digitais e os consumidores têm valorizado a experiência no ponto de contato. E por experiência, a gente fala de tudo: um bom atendimento, um pós-venda satisfatório, uma mecânica de relacionamento que vai desde o momento em que o cliente procura por um determinado produto/serviço até o momento em que ele avalia como foi a sua compra (e se vale a pena repetir), promoções atrativas, e por aí vai. Isso faz com que o nosso trabalho dentro da agência seja repensado. Os fornecedores de comunicação trabalham a cada dia mais integrados, pensando de forma conjunta as estratégias mais assertivas para seus clientes, que têm demandado um trabalho assim: sinérgico, sem dispersão de verba e esforços em diferentes “pontas” do trabalho. A New está trabalhando neste sentido, e recentemente formou o Hub, que é uma plataforma de comunicação que reúne empresas nas áreas Digital, RP e Imprensa, Pesquisa e BI.

4. Eu sou uma grande entusiasta do Branding, trabalho com isso e defendo até a morte (rs). No entanto, o que vejo são agências segmentadas para o assunto ou consultores independentes. Não conheço muitas agências com departamentos de Branding internos pra botar o cliente no divã antes de iniciar, de fato, o trabalho. Como é na sua agência? Existe um departamento de Branding? Você sente que ele tem a valorização que lhe é devida?

Não existe esse departamento. Onde eu trabalho e nas outras agências de comunicação que trabalhei, o departamento responsável pelo Branding é o meu, Planejamento, e o Design. Quando o cliente nos contrata para fazermos um trabalho de branding – ou então de rebrand, que é o redesenho e muitas vezes o reposicionamento da marca – antes de iniciar o trabalho nós elaboramos um roteiro completo com perguntas, no intuito de ter um entendimento amplo do negócio do cliente, seus consumidores, concorrentes e o contexto em que está inserido. A partir daí, pensamos no seu posicionamento: qual lugar ele deve ocupar na mente das pessoas? Tem que ser algo crível, factível. O discurso tem que ser percebido também na prática. Nesse sentido, o logotipo é uma conseqüência do trabalho. Sinto que alguns clientes ainda não perceberam isso: ficam muito preocupados com o design, se projetam em outras marcas, querem ser iguais ou “melhores” que elas, mas não enxergam que o branding vai além e depende de outros fatores, que é a postura, a personalidade da marca em todos os sentidos e momentos. Nosso desafio é justamente fazê-lo compreender isso.

5. Você está fazendo um estudo muito bacana para a sua Tese de Mestrado, o qual, estou doida pra saber um pouco mais. Você pode nos contar?

Estou estudando Consumo Colaborativo: um nome dado para uma forma de consumir que não é nenhuma novidade, mas que tem sido aprimorada nos últimos anos devido a diversos fatores, tais como o maior acesso às mídias digitais e o aumento da consciência das pessoas em relação à prática de um consumo mais sustentável – quando falo “sustentável”, falo no sentido de ser menos exagerado, mais planejado. Por exemplo: se eu tenho um carro e ando sozinha com ele, porque não dar carona para pessoas que vão para um destino próximo ao meu? Se eu gosto de viajar e não me importo em ficar hospedada em hotéis caros e chiques, porque não ficar hospedado na casa de um nativo que pode me levar a lugares surpreendentes no meu destino? Se tenho uma furadeira “mega power” que usei duas vezes na vida porque não alugá-la ou passá-la para a frente? Enfim, o consumo colaborativo é uma forma de consumo que valoriza o “uso” de algum produto ou serviço em detrimento da sua “posse”. E, especificamente, meu objeto de estudo é o Coworking – uma prática na qual as pessoas compartilham o mesmo espaço de trabalho. Cada um em uma mesa, mas com a mesma impressora, mesmo CEP, mesma recepção, mesa cozinha etc. Pretendo compreender o que motiva as pessoas a dividirem o espaço de trabalho ao invés de terem seu próprio escritório ou trabalharem em casa, e tentar traçar um perfil destas pessoas ditas “colaborativas”. E, como a minha linha de pesquisa analisa o consumo de um ponto de vista interpretativista, ou seja, um ponto de vista que busca compreender os aspectos simbólicos do consumo, estou neste momento visitando o Guajajaras Coworking justamente para entrar neste “ambiente” e vivenciar aquilo que os coworkers vivenciam. Esta técnica se chama observação participante. Além desta, farei entrevista em profundidade com coworkers, donos de Coworking, entre outros, e estou coletando dados secundários sobre o tema.

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6. O que você aprendeu durante os seus anos de experiência em Agências de Publicidade que tenha sido bastante relevante pra você?

Hum…difícil. Aprendi muita coisa, mas não guardei segredo para ninguém. Acho que o principal para quem quer trabalhar em agência é saber ser perseverante, resiliente. Porque agência é um ambiente que suga muito a sua energia, exige o tempo todo de você. Nós temos que ser especialistas nos negócios dos nossos clientes. A questão é que temos clientes de todos os negócios! Então não dá para ficar parado, passivo, esperando o trabalho chegar para “dar baixa” nele e pegar o próximo. Tem que ler, procurar, se interessar, estudar o tempo todo. Às vezes nos deparamos com alguma informação que a princípio é irrelevante, mas dias depois surge um job em que aquela informação se aplica. Então, quem quiser trabalhar em agência, independente da área, tem que ser atento, curioso, gostar do novo, do instigante. Esse foi um aprendizado para mim.

7. Eu, mesmo sendo Publicitária, passei muitos anos sem aceitar o seu método imperativo demais pra vender produtos e serviços. Hoje, com a proliferação de mídias e a necessidade de humanizar/aproximar/encantar o cliente pra depois vender, vivo uma lua de mel com a área. Como você pessoalmente enxerga esse relacionamento marca – prestadores de serviço – mercado?

Eu vejo uma relação cada vez mais integrada e indissociada. A publicidade vem se reinventando. Como disse acima, hoje em dia é impossível desenvolver estratégias de comunicação assertivas para marcas de forma isolada ou desconexa, ou seja, pensando-se em uma ferramenta de comunicação e deixando outras de lado. As marcas precisam de um posicionamento claro e consistente, ou seja, uma postura coerente em todos os seus pontos de contato. Isso implica que aquilo que é dito na Publicidade é chancelado pelas Relações Públicas e na Imprensa; trabalhado no Digital e nas ativações com os consumidores. No treinamento dos vendedores e na ambientação das lojas, quando for o caso. E na geração de um conteúdo que seja relevante para os consumidores e que os mantenha conectados e em diálogo com as marcas. Para isso, cliente, agência e demais prestadores de serviço precisam trabalhar juntos em uma estratégia convergente. E eu acho isso ótimo!


Muito obrigada Helena por ter respondido de forma tão generosa às nossas perguntas. Eu amei ver a visão de um Profissional sob uma ótica diferente da minha. E, acredito que pra quem tem uma idéia, um projeto novo esperando pra sair da gaveta, essas informações também valeram demais!

Quem tiver mais alguma dúvida, quiser saber um pouco mais, pode deixar aqui nos comentários ou enviar pra Helena.

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julho 6, 2015 8:00 am

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