Ser introvertida: Como iniciar uma conversa com alguém onde você não conhece ninguém

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Há uns 3 meses atrás eu fui dar uma palestra a trabalho. Mesmo acostumada a falar e me apresentar em público, havia algo me incomodando ali…

Ter superado a dificuldade de falar em público, que durante anos me acompanhou, não significa que eu tenha alterado um status de personalidade, neste caso, de introvertida, para extrovertida, continuo a mesma introvertida de sempre, só que com um pouco mais de coragem. Eu nunca fui a pessoa que chega nos lugares sorrindo e conversando com todo mundo, o extremo oposto é verdade, sempre cheguei quieta, muda, olhei mil vezes para todos os lados, e então escolhia uma pessoa para me aproximar, sempre com certa dificuldade e receio.

Sabe lá se a pessoa está aberta para um diálogo? – Eu sempre penso.

No dia da palestra em questão, cheguei com certa antecedência, como sempre faço, eu só conhecia a pessoa que havia feito o contato comigo, mais ninguém. Assim que nos cumprimentamos, ela se ocupou com os últimos preparativos, e eu segui sozinha. Fiquei circulando entre as pessoas, tomei uma xícara de café, comi um pão de queijo, inventei que tinha que lavar a mão no banheiro, voltei, vi as pessoas chegando em grupos, rindo e sussurrando entre si, cruzei os braços, descruzei os braços, dei uma volta em volta da mesa, olhei no relógio, repeti tudo isso algumas vezes…

Logo eu, que iria falar para todas aquelas pessoas, não conseguia puxar conversa com ninguém. 

Eu poderia ter criado inúmeras situações:

  • Posso te servir uma xícara de café?
  • Você já provou esse amanteigado, não está gostoso?
  • Você trabalha com vendas há quanto tempo? (Eu sabia que todos ali estavam relacionados ao comércio, vendas, moda…)
  • Estou surpresa em ver quantas pessoas estão interessadas no tema…

O problema é sempre o primeiro passo, o primeiro contato. Nesse dia eu não consegui.

De dois anos pra cá, eu tenho me visto em situações que eu simplesmente preciso esquecer o que é zona de conforto, ou seria isso, ou eu estaria fadada a ficar enclausurada dentro de casa solteira o resto da vida. Eu saí de casa pra dançar sábado à noite sozinha, e fiz amigos. Eu fui ao cinema sozinha inúmeras vezes e conversei com várias pessoas. Eu fiz amigos pela internet, onde o primeiro contato foi meu. Eu dei um tanto de aulas e palestras de improviso, sem o menor problema. E, em todas essas vezes, eu senti um orgulho danado, além de um senso de maturidade e independência que me deixavam feliz.

Mas fácil nunca é.

Eu sempre fico pensando se está todo mundo me olhando, se o meu desconforto é tão grande ao ponto de mudar a freqüência do lugar e todo mundo reparar que eu não consigo me encaixar. Mas se tem uma coisa boa, é que tenho aprendido muito à medida que vou vivendo novas experiências; e uma delas é saber exatamente como o meu “eu introvertido” funciona, para não entrar em conflito com ele toda vez e evitar sofrimento desnecessário.

Se eu conseguir fazer o primeiro contato, ok.

Se eu não conseguir, ok também.

Tá tudo bem, Tá tudo certo. Mil imprevistos acontecem o tempo todo. Ser introvertida não é o fim dos tempos.

……….

Você também é introvertida? Como você reagiria em situações como essa?

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abril 30, 2019 12:15 pm

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