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SOBRE MORAR SOZINHA E TRABALHAR SOZINHA

 

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Dia desses, uma amiga que trabalha com pesquisas, me abordou para uma ajudinha sobre um tema o qual tenho alguma experiência. Ela estava montando um questionário sobre “Singles” e gostaria de saber algumas das minhas percepções. Pensando em ampliar a conversa em torno de tema, resolvi refleti sobre, além de morar sozinha, trabalhar sozinha também. Já morei sozinha por alguns anos antes de me casar e, agora, solteira, me vi sozinha de novo, enquanto que trabalhar sozinha é algo que tenho encarado há uns 3 anos.

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Já começo falando que nunca gostei de morar sozinha, por mais que eu aprecie ter o meu espaço, gosto de saber que tem gente em casa, que coisas estão acontecendo, que existe vida ali. Também tenho receio de me perder com tanta liberdade (rs), como que se eu pudesse fazer tudo o que me desse na telha, tipo não tomar banho todos os dias, só comer bobagens, andar pelada em casa, não lavar roupa, essas coisas… Porque, afinal, não teriam outros olhos pra me julgar. No entanto, valorizo a liberdade sim, mas gosto de limites, de rotina, minha mente criativa se perde facilmente, é bom mantê-la em foco.

Eu já fui bem mais sistemática no passado, e mesmo morando com mais pessoas, passava a maior parte do tempo no quarto, hoje não sou assim mais, chego em casa e já quero dividir o meu dia com alguém, conversar um pouco, desanuviar. O pior pra mim, de morar sozinha, são os finais de semana. O silêncio da rua e o silêncio da casa me angustiam um pouco, se acordo de ressaca então, quero morrer.

As tarefas de casa também são uma grande questão pra mim, eu odeio todo e qualquer trabalho de casa, uns mais, outros menos, mas definitivamente não sou uma mulher que pega numa vassoura com paixão, deixa um banheiro brilhando e lava louças cantando, não mesmo! Quando me vi sozinha de novo, achei um absurdo ter uma ajudante, afinal, eu poderia cuidar das minhas próprias bagunças, mas o stress que eu fico não compensa, prefiro ter uma ajudante sim, e gosto quando ela vem, não somente pela limpeza da casa, como pela companhia. O dia fica agradável e cheio de risadas. (Nota: Eu passo roupas muito bem!)

Eu sempre gostei de receber pessoas na minha casa e quando se mora sozinha é bem mais fácil, a casa vai estar sempre livre, o que não acontece quando se tem mais pessoas, pois vão existir outros interesses a serem administrados. Eu nunca tive problemas com isso, quando morava com amigas sempre avisava antes se ia dar uma festa ou receber pessoas para um café da tarde, quando casada, combinávamos antes se os dois estavam no mood pra receber e, no final, dava tudo certo. Hoje, contudo, além de estar mais tranquila em relação a festas, prefiro uma noite tranquila de vinho, tenho convidado até clientes para reuniões na minha casa, o que tem dado muito certo também, sinto que as pessoas gostam de ver os bastidores do meu trabalho.

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Sobre trabalhar sozinha, é algo que eu já me questionei muito, grande parte devido a disciplina que isso envolve, o que, certamente, é um grande desafio pra mim. Já aluguei mesa em Co-working, já cogitei mil vezes abandonar tudo e tentar uma vaga numa empresa com um trabalho tradicional, já fiz mil planos de transformar um quarto em home-office, já sonhei em alugar uma sala e tranformá-la num escritório super cool, porém, sem sombra de dúvidas, é no sofá com o computador no colo que a grande mágica do meu trabalho acontece. Tenho consciência que está longe de ser o ideal, minha coluna reclama periodicamente e eu me desconcentro mais facilmente, mas, até hoje, é o que mais tem funcionado pra mim.

O fato de estar sozinha em casa trabalhando foi outro ponto que eu tive que pensar muito a respeito. Meu trabalho é criativo, eu preciso trocar idéias com alguém, muitas vezes me senti paralisada justamente por chegar num ponto onde precisava de uma segunda opinião e não havia ninguém por perto. Felizmente, o volume do meu trabalho aumentou tanto que eu tenho contratado outras pessoas pra trabalhar comigo, o que, além de facilitar, gera diálogo e troca de informações.

Eu não passo a semana inteira trancada dentro de casa, pelo contrário, fico grande parte dela na rua, seja em reuniões com clientes, dando aulas, produzindo conteúdo, dirigindo editoriais, tomando mil cafés e afins, o que é deveras produtivo e me deixa exausta também, além de fazer eu voltar correndo pra casa e valorizar todo o meu tempo sozinha.

Já tentei de todas as formas gerenciar melhor o meu tempo, com planners, agendas e qualquer coisa que me mantivesse nos trilhos, mas gente, sério, o que funciona pra um não necessariamente vai funcionar pro outro, as pessoas são diferentes, ainda bem que eu descobri isso a tempo. Um mantra que eu tenho repetido muito e tem funcionado é: “Roberta, você tem que fazer o que precisa ser feito e ponto”. Como, quando, onde, que horas isso será feito, não sei (e tampouco as outras pessoas precisam saber).

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Eu adoraria saber como vocês, que também moram sozinhas e trabalham sozinhas, resolvem essas questões do dia a dia de uma casa, e do trabalho. Vamos trocar experiências…

UPDATE: Depois de ter passado 2 meses morando sozinha após a minha separação, eu cheguei a conclusão que não queria ficar só, foi quando a Mariana, uma menina linda e cheia de vida, veio morar comigo. Agora temos passado muitas noites contando casos e falando da vida.

PS.: Sobre ser o seu próprio chefe

(Fotografia e make por Karin Lasmar para o Beta Stories)

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