vida real

Querido Diário

Depois de mais de dois meses sem esticar o tapete de yoga, hoje, quinto dia do ano de 2021, criei coragem e vergonha na cara. Acordei cedo e fui me mexer um pouco. Meu corpo, ainda adormecido, não mostrou um rendimento maravilhoso, o que era de se esperar. Embarquei numa meditação cheia de pensamentos conflituosos mas ainda assim permaneci quieta, por um tempo, tentando encontrar meu lugar de paz interior, até o momento em que abri os meus olhos e vi um par de olhos me olhando de volta, um sorrisinho malandro e certa astúcia ao se mover. Uma criatura estava me olhando fixamente nos olhos. Tão normal quanto tomar uma xícara de café é ter um gambá como companhia na meditação, isso mesmo, um gambá. Não pude evitar o susto. Os movimentos bruscos e desajeitados para me levantar do tapete acabaram mandando a minha meditação de volta para a intenção e o gambá de volta para o reino dos bichos mais feios do mundo.    Que bicho horrendo, meu deus.


Envelhecer Não é Pecado

    Eu recebo muito “elogio” dizendo que não pareço ter a idade que tenho e, não, eu não fico lisonjeada como talvez fosse o esperado. Já fiquei, confesso, hoje não fico mais. Eu tenho 41 anos e tantas são as marcas quantas são as histórias. Algumas mais visíveis que outras, por certo, mas todas são minhas e eu sou todas elas.   Vivemos numa sociedade que nos diz o tempo todo que devemos correr atrás de qualquer tipo de antienvelhecimento para parecer mais jovem, por mais tempo, e assim consumir mais, fazer a roda girar num eterno looping de consumo e insatisfação. Pessoas não felizes – principalmente consigo mesma – são pessoas altamente lucrativas pro mercado.⠀   Aos 41, de cara lavada, eu só desejo que eu consiga me gostar todo santo dia, me curar, pois só assim o mundo a minha volta há de se curar também.